A propósito da coerência, e do aeroporto de Beja

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Desde cedo me habituei, por uma questão cultural, a exigir de mim mesmo coerência nas atitudes e actos que pratico, para que não cause prejuízos a terceiros e que os outros saibam com aquilo que contam com as minhas palavras e consequentes atitudes.
É claro que se exijo a mim porque não exigir aos outros, com igual rigor?
“Se bem dito, melhor feito”, diz o povo e com razão, e por isso exijo aos nossos governantes que actuem com coerência, em tudo o que é dito e que é feito em nome do povo que os elegeu.
É o que se exige a este Governo no que ao aeroporto de Beja concerne.
Foi desde sempre dito que a Base Aérea 11 deveria servir para fins civis, como aeroporto, já que a infra-estrutura ali existente tinha e tem potencialidades para servir de aeroporto civil, com baixo custo de obras para fazer as zonas de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias e as zonas de estacionamento das aeronaves civis.
Ao longo do tempo fomos assistindo às mais variadas profissões de fé nas potencialidades e baixo custo das obras por parte dos governantes, quer do PS primeiro, quer do PSD e CDS depois, quer finalmente do Partido Socialista, todos eles enquanto Governo.
Passaram por Beja, nas mais variadas acções, nomeadamente por ocasião da Ovibeja (palco privilegiado desta acções) governantes, incluindo primeiros-ministros, que reiteraram as mais profundas convicções (nunca se sabe se são profundas ou artificiais) que desta vez era para valer, o aeroporto iria ser uma realidade e que a população alentejana iria ter o seu desenvolvimento acelerado pela questão do aeroporto que daria um salto qualitativo nesse desenvolvimento que se queria integrado com Alqueva e o porto de Sines (o tal triângulo do desenvolvimento).
Qual quê?
O aeroporto continua a marcar passo, existindo muitas dúvidas se vai ser aeroporto internacional, conforme prometido por José Sócrates, ou se vai ser destinado a passageiros e carga ou apenas a passageiros.
A ANA, empresa pública que detém a gestão do aeroporto, tem vindo a lume, a título de esclarecimento, afirmar que a questão da carga está fora de questão, por não haver interessados, mas pergunta-se?
Como pode haver interessados se não se conhecem as taxas aeroportuárias e, claro está, se não forem atractivas para quem se vai deslocar de outras zonas para aqui, as cargas e os voos de baixo custo é a mesma coisa.
Que coerência existe afinal no que é dito pelos governantes e aquilo que é protocolado pela ANA?
Será que a ANA actua à revelia do Governo?
Ou não?!
A zona de Odemira está desde há muito a exportar produtos frescos para os mercados do centro da Europa, não poderá o aeroporto de Beja ser uma excelente alternativa?
Várias questões foram colocadas à Assembleia da República enquanto desempenhei as funções de deputado e sei o que foi afirmado por vários especialistas nestas matérias, bem como nas potencialidades que o aeroporto tem.
Haja coerência e não se fique apenas por frases feitas e já gastas. O governo tem obrigação de cumprir as promessas.
O aeroporto tem potencialidades, a região merece e as populações também.
Para além dos desejos e das potencialidades, é uma questão de justiça e de desenvolvimento regional.

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