A semana começou com um grupo de jovens, liderado por duas deputadas do Chega, a invadir as instalações da Rádio Universitária de Coimbra (RUC), porque queriam participar num debate de forma presencial e não à distância. O caso até podia ser colocado na categoria dos “insólitos”, mas a presença de deputados da nação naquele episódio deve motivar uma reflexão séria sobre os limites da ação política e o respeito pelas instituições.
A liberdade de imprensa é um dos pilares fundamentais da Democracia. Qualquer força política tem o direito de exigir critérios jornalísticos justos, questionar opções editoriais e denunciar aquilo que considere ser um tratamento desigual. Mas há uma diferença essencial entre contestar uma decisão editorial e tentar impor, pela força, um determinado posicionamento ideológico.
Numa Democracia, ninguém pode reclamar liberdade apenas quando as suas ideias são ouvidas, nem exigir que os outros pensem ou ajam de acordo com a sua vontade. A pluralidade de opiniões constrói-se com diálogo, argumentos e respeito pela independência dos órgãos de comunicação social, nunca através da intimidação ou da ocupação das suas instalações.
A Democracia não é apenas o direito de falar. É também aceitar que os outros falem, mesmo quando discordamos do que dizem. É respeitar regras, instituições e direitos fundamentais, sobretudo nos momentos em que somos contrariados. E quando se tenta impor ideias pela força, não se está a defender a liberdade, mas sim a colocar em causa aquilo que permite a todos exercê-la.

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O deputado do Chega eleito por Beja critica a escolha de Tancos para acolher uma escola de pilotos, no âmbito do processo de privatização da







