A derradeira oportunidade?

Sexta-feira, 9 Maio, 2014

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Desde que Portugal entrou na então Comunidade Económica Europeia (CEE) – hoje União Europeia – muita coisa mudou no país. Com os milhões vindos de Bruxelas e Berlim fizeram-se estradas e hospitais, renovaram-se escolas e universidades, criaram-se novos equipamentos socais e culturais. Mas também se mudaram mentalidades e abriram novos horizontes aos portugueses. Em suma, todos passámos a viver melhor.
É fora das grandes cidades que a melhoria da qualidade de vida registada desde 1986 se tornou mais evidente. Com os financiamentos comunitários através dos consecutivos programas operacionais regionais, as aldeias e vilas do Alentejo (e todo o interior) puderam equipar-se com a dignidade que mereciam, ganhando novos argumentos na luta contra a desertificação e o envelhecimento das suas populações.
Mas tudo isto parece já ter sido há muito tempo… Hoje os desafios que se colocam ao Alentejo e aos alentejanos são enormes e exigentes. Porque apesar de milhões e milhões de euros investidos anos a fio, a região continua carente em muitas áreas e o futuro não se afigura nada animador, com o fecho anunciado de serviços na saúde, justiça, educação ou finanças.
Os novos cine-teatros, as piscinas, os relvados, os pavilhões, os parques de feiras, as bibliotecas, as escolas ou os centros de saúde faziam (e fazem) muita falta à região. Mas não chegaram para travar a sua perda de população! Daí que o novo quadro comunitário de apoio, a vigorar entre 2014 e 2020 e ainda envolto em algum mistério, possa vir a ser a derradeira oportunidade para o Alentejo crescer efectivamente. Por isso se exige um programa mais ágil e prático, com uma estratégia consciente da realidade em que vai intervir e que apoie as instituições e empresas locais com celeridade e de forma consistente. Talvez assim se evite o desastre total!

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