À beira do precipício!

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

A empresa VASP, que assegura a distribuição dos jornais para as bancas (ou da gráfica para as redações, como é o caso do “CA”), confirmou na passada semana que está a avaliar a possibilidade de vir a fazer, a partir de janeiro de 2026, ajustamentos nas suas rotas de distribuição em oito distritos do interior do país, incluindo o de Beja.
Segundo a empresa, a possibilidade decorre do facto de estar a atravessar “uma situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais, que colocam sob forte pressão a sustentabilidade da atual cobertura de distribuição de imprensa diária”.
Daí estar “a estudar uma revisão da atual configuração de algumas rotas de distribuição, de forma a salvaguardar a continuidade global” da sua operação em Portugal.
A confirmar-se este “cenário”, já contestado por autarcas, sindicados e pela própria entidade reguladora do setor, todo o interior do país ficará sem acesso a jornais e revistas, o que constitui uma “machadada” sem precedentes no acesso à informação e na própria democracia.
Ora perante isto, o Governo limita-se a dizer que não vai passar cheques a uma empresa em concreto e que qualquer solução “deve envolver sempre mecanismos concorrenciais”.
Não bastava as quebras nas vendas, a diminuição das receitas de publicidade, o aumento dos custos associados à impressão e a “concorrência” desleal das redes sociais, agora publicações como “CA” e outras tantas dezenas espalhadas pelo país têm também de enfrentar a possível inexistência de uma rede que assegure a distribuição das suas publicações.
E o Governo “lava as mãos”, como se fosse indiferente haver ou não jornais em Castro Verde ou em Trancoso e como se cada uma destas empresas não significasse postos de trabalho. E isto é muito grave, porque é o mesmo Governo que, há pouco mais de um ano, apresentou ufanamente um pacote de 30 medidas para a comunicação social, para ajudar o setor a enfrentar “desafios significativos”, que estão a afetar a “sustentabilidade das empresas” e a “estabilidade dos trabalhadores”.
O precipício está à vista de todos. Haverá condições para o evitar e seremos forçados a dar o passo em frente? Fica a dúvida e a inquietação…

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