Cidadãos de Sines lutam contra a poluição e querem reunir com o Governo

Cidadãos de Sines lutam contra a poluição e querem reunir com o Governo

O movimento cívico contra a poluição em Sines informou que vai pedir uma audiência à ministra do Ambiente, Assunção Cristas, para lhe transmitir as reivindicações da população em defesa da saúde pública.
Entre as exigências deste grupo de populares está "o termo das descargas [de efluentes não tratados] para o mar, com reaproveitamento da água em ciclo fechado", a "implementação de um sistema de monitorização regular [da qualidade] do aquífero" municipal e a "adopção de uma série de medidas que eliminem todo o tipo de descargas gasosas para a atmosfera".
De acordo com o mesmo documento, a que a Lusa teve acesso, o movimento cívico pretende "pôr um ponto final na inoperância das autoridades, que ao longo dos anos não foram capazes de corrigir os problemas estruturais" denunciados.
A informação foi divulgada à população no final de uma marcha silenciosa, que percorreu no sábado, 29, algumas ruas do centro histórico da cidade alentejana e na qual participaram algumas centenas de pessoas.
Junto à emblemática estátua de Vasco da Gama, foi pedido aos presentes que assinassem uma petição pela "tomada de medidas" que visem "restabelecer a qualidade de vida, sadia e ecologicamente equilibrada" dos habitantes de Sines, que será enviada à ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, juntamente com o pedido de audiência.
Também presente no local, Manuel Coelho, presidente da Câmara Municipal eleito por um movimento independente, anunciou que, na próxima sexta-feira, decorrerá uma reunião com "todas as empresas envolvidas nos problemas", para delinear um "programa de ataque à poluição". Vaiado por algumas pessoas, o autarca esclareceu que "saúda a constituição do movimento", mas que este "não deve ser divisionista".
Em declarações aos jornalistas, Hélder Guerreiro, da comissão dinamizadora do movimento cívico, afirmou que todas as acções "devem convergir". Contudo, defendeu, "este é um movimento de cidadãos, não de organizações" e que estas, como a autarquia, "têm um quadro de acção próprio e os seus meios de informação à população".
À parte as polémicas, António Jorge e Ana Paula Taleto, residentes em Sines há 17 anos, explicaram à Lusa que se juntaram à acção pelos dois filhos. "Quero que eles tenham uma vida mais saudável do que estamos a ter presentemente", disse a mulher.
Fernando Silva, 68 anos, a residir na cidade há 61, manifestou-se convencido de que "60 por cento dos sineenses não se apercebem do que se está a passar". Pasteleiro de profissão, confessou que se levanta, todos os dias, por voltas das 03:00, e quando chega ao local de trabalho, por vezes, "sente vómitos", por causa dos cheiros.
O movimento cívico "Todos Contra a Poluição" foi constituído em 14 de Outubro, após uma assembleia popular que reuniu várias dezenas de pessoas preocupadas com os mais recentes problemas de contaminação industrial, sobretudo a intensificação de maus cheiros durante a noite.

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Correio Alentejo

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