Deputado do PSD afirma que Beja não podia receber nova escola de pilotos da Lufthansa

Aeroporto de Beja (2)

O deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, afiança que a nova escola de pilotos da alemã Lufthansa, que será instalada em Tancos no âmbito do processo de privatização da TAP, não poderia vir para a região por limitações do espaço aéreo.

“A utilização permanente do espaço aéreo em Beja pela Força Aérea [Portuguesa] não é compatível com a utilização do aeródromo para a formação de pilotos com alta intensidade, por uma empresa como a Lufhtansa Tecnics”, afirma Gonçalo Valente em comunicado enviado ao “CA”.

A instalação da escola de pilotos da Lufthansa em Beja em detrimento de Tancos, num investimento que pode ascender a 500 milhões de euros, foi reclamada pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) na quinta-feira, 15.

“Tancos é um aeródromo exclusivamente militar, enquanto Beja conjuga utilização militar e civil. Além disso, o aeródromo de Tancos necessita de requalificação e adaptação para novos usos, incluindo a utilização civil, enquanto Beja tem um aeroporto estruturado e em operação, que não carece de investimento”, sustentou então o presidente da CIMBAL, António José Brito.

Também o deputado do Chega por Beja, António Carneiro, criticou a escolha de Tancos para acolher uma escola de pilotos, em detrimento da região.

 “A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja”, frisou em comunicado enviado ao “CA”.

No comunicado enviado ao “CA”, o deputado do PSD, Gonçalo Valente, explica que “a escolha de Tancos para a instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa assentou em critérios de racionalidade”.

“Ao contrário do que sucede com o Aeródromo Militar de Beja, o Aeródromo Militar de Tancos é uma infraestrutura do Exército que está subaproveitada, necessita de fortes investimentos que serão assegurados pela Lufthansa e tem ampla disponibilidade de espaço aéreo, poupando o Orçamento do Estado”, frisa.

Gonçalo Valente refere ainda que a Base Aérea de Beja “é, atualmente, a maior base da Força Aérea do país”, tendo sediadas “as principais esquadras de aeronaves e helicópteros, além de simuladores, que garantem a formação de pilotos KC390 e brevemente também Super Tucano, oriundos de muitos países”.

“Ou seja, a instalação desta escola de pilotos em Beja, implicaria o encerramento da Base da Força Aérea”, garante Gonçalo Valente, que acrescenta: “Essa seria uma opção inaceitável, fortemente lesiva do interesse nacional e local”.

Por isso, reforça o eleito laranja, e “tendo em conta as suas características, o Governo optou pela aposta industrial para Beja, que beneficiando da Base Aérea como polo aglutinador, deverá transformar-se num dos principais clusters aeronáuticos de Portugal”.

Gonçalo Valente considera ainda “uma profunda irresponsabilidade e falta de noção a atitude de uma parte da CIMBAL”, apelidando-a de “completamente alarmista e servilista”.

“A CIMBAL é um organismo que deveria servir os interesses do território e não se comportar como um braço armado do PS. É por colocarem estes interesses partidários à frente da região que nunca fomos respeitados enquanto território pelo poder central, com as consequências conhecidas”, conclui.

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