Sem prejuízo das características genéticas que trazemos connosco quando nascemos, nós somos sempre, e essencialmente, fruto de uma circunstância. Familiar, social, política, económica, religiosa, cultural. E essa circunstância molda-nos, forma-nos, às vezes deforma-nos. O quotidiano é uma casa onde a nossa existência vive, limitada por regras, costumes e hábitos. O que interessa é ficar bem na fotografia, para pertencer, para não destoar. E essa condição faz-nos, por questões de sobrevivência, assimilar e aplicar, bastas vezes desmesuradamente, esses princípios. E cada um, à medida que vai crescendo e amadurecendo, vai fazendo uso dessa aprendizagem para ganhar o seu lugar no grupo, na comunidade, no país. E por isso, todos nós, uns mais, outros menos, através do raciocínio lógico, descobrimos que para concretizarmos sonhos e ambições e porque o sucesso e a riqueza têm forma de pirâmide, as relações entre pessoas têm de ser relações estratégicas, de confronto, de competição. E sem darmos conta, porque o caminho para o topo é estreito, entramos num ritmo avassalador e deixamo-nos consumir pela voragem dos tempos que correm. É fundamental sermos modernos e termos e mostrarmos. Dinheiro, poder, estatuto, autoridade. Para subir na pirâmide, o intelecto é muitas vezes substituído por uma esperteza egocêntrica, amiúde disfarçada de diálogo e compromisso. Para que tal surta efeito, para manter a forma tradicional da pirâmide e ela não se transforme num quadrado ou num rectângulo, quem sabe até qualquer coisa sem limites geométricos, é preciso que o pensamento e a introspeção morram, é preciso desmantelar o humanismo e as artes. Para contrariar esta devassa, compete-nos então mudar a circunstância de que somos fruto.

Castro Verde homenageia antigos combatentes
Castro Verde vai prestar homenagem aos antigos combatentes do Ultramar do concelho neste sábado, 18, numa cerimónia promovida pela Câmara Municipal, em parceria com a







