Vila de Entradas homenageou os “seus” emigrantes

Os entradenses que, nas década de 60 e 70 do século passado, partiram para o estrangeiro em busca de uma vida melhor foram homenageados, no passado domingo, 27, em Entradas, no concelho de Castro Verde, com a inauguração de uma peça de arte pública.

Instalada junto à Igreja Matriz, no largo onde centenas de autocarros levaram homens e mulheres para Suíça, França e Alemanha, a peça de homenagem ao Emigrante Entradense partiu de uma iniciativa popular, que teve o apoio de cerca de uma centena de cidadãos e algumas empresas locais, assim como da Câmara de Castro Verde e da Junta de Freguesia de Entradas.

“Esta é uma justa e merecida homenagem aos primeiros dos primeiros emigrantes da nossa pequena comunidade, promovida por gerações que se lhes seguiram”, frisou durante a inauguração Vasco Raimundo Martins, porta-voz do movimento de cidadãos que promoveu esta homenagem.

Também ele ex-emigrante, Vasco Raimundo Martins acrescentou tratar-se de “uma homenagem prosseguida por um punhado de entradenses aos homens e mulheres que de olhos molhados nos idos Anos 60 do século XX se lançaram na aventura de galgar os Pirinéus a caminho da Alemanha, da França ou da Suíça em busca de trabalho que no seu país lhes era negado”.

“Esta também é a evocação, a nossa homenagem a todos quantos independentemente da raça, credo, língua ou nacionalidade são obrigados a abandonar o seu torrão natal sempre que lhes é negado o sustento e todos os direitos básicos do ser humano”, reforçou.

“Esta é uma justa e merecida homenagem aos primeiros dos primeiros emigrantes da nossa pequena comunidade, promovida por gerações que se lhes seguiram”, disse Vasco Raimundo Martins, porta-voz do movimento de cidadãos que promoveu a homenagem.

Também presente na cerimónia de inauguração, o presidente da Câmara de Castro Verde, António José Brito, elogiou “a capacidade” que houve em Entradas de se “enveredar por esta iniciativa cidadã”.

O autarca lembrou que “não há nenhuma rua em Entradas ou nenhuma família que não tenha um familiar que não tenha sido emigrante ou que não seja ainda emigrante”. “Portanto, esta homenagem é amplamente importante e muito atual”, reforçou.

O autarca disse ainda que “um povo sem memória é um povo que está perdido”, defendendo a necessidade de “acolher os imigrantes que agora vêm para Portugal”. “Isso é fundamental e não devemos enveredar por uma lógica de rejeição”, frisou António José Brito.

Por sua vez, a presidente da Junta de Freguesia de Entradas, Ana Maria Guerreiro, reconheceu tratar-se de um momento “marcado pela emoção” e que enaltece “o percurso de vida daqueles que daqui partiram em busca de novos horizontes sem nunca perderem o vínculo às suas raízes”.

“Para os emigrantes entradenses deixo uma palavra de gratidão, porque mesmo longe mantêm e sempre mantiveram acesa a ligação a Entradas”, concluiu.

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Correio Alentejo

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