A vice-presidente da Câmara de Beja, Liliana Cabecinha, eleita pelo movimento Beja Consegue (PSD/CDS-PP/IL), suspendeu o seu mandato e vai ser substituída no executivo por João Brás da SIlva, até agora chefe de gabinete de Nuno Palma Ferro.
O pedido de suspensão do mandato, que vigorará até 10 de janeiro de 2027, foi apresentado por Liliana Cabecinha na reunião de Câmara desta quarta-feira, 9, tendo sido aprovado por unanimidade.
“Agradecemos à vereadora Liliana Cabecinha todo o seu esforço e contributo no desempenho das suas funções, desejando-lhe todo o sucesso no desempenho das novas funções agora assumidas”, frisou o Beja Consegue, em comunicado divulgado na manhã desta quinta-feira, 10.
O movimento lamentou também “o chorrilho de especulação infundada que alguns órgãos de comunicação social veicularam nos últimos dias, sobre um tema que carecia de posição oficial e que foi também utilizado oportunisticamente por algumas forças da oposição, na tentativa de desestabilizar o trabalho do executivo camarário”.
No comunicado, o Beja Consegue afirma ainda que a sua prioridade “foi, é e será sempre pôr em prática as [suas] ideias e valores”.
Já a Distrital de Beja do PSD, em comunicado assinado pelo seu presidente, o também deputado Gonçalo Valente, considera que a decisão pessoal de Liliana Cabecinha não é “propriamente um problema”, uma vez que o projeto Beja Consegue “vai muito além de um nome que o integra, seja ele quem for, com exceção feita ao seu principal rosto, Nuno Palma Ferro”.
Para o líder social-democrata, a mudança no executivo municipal “deve ser encarada com serenidade e confiança, como um momento de continuidade e de renovação da equipa, mantendo intacto o compromisso da coligação Beja Consegue com os munícipes e com o projeto que se propôs concretizar”.
Gonçalo Valente frisa ainda que “na vida política existem projetos pessoais, profissionais ou familiares que, em determinados momentos, podem sobrepor-se às responsabilidades políticas”, acrescentando: “Essas opções devem ser respeitadas e não transformadas em interpretações, casos ou especulações protagonizadas por alguma comunicação social e pela oposição que sem argumentos para fazer o seu trabalho, resta-lhes alimentar histórias infundadas”.
Certo é que há vários dias que a possibilidade de Liliana Cabecinha vir a deixar o executivo da Câmara de Beja por alegadas “divergências políticas” tinha sido tornada pública na imprensa.
O caso levou mesmo a Concelhia do PS a considerar, em comunicado emitido no fim de semana, que o concelho precisava de “estabilidade, clareza e responsabilidade na governação”.
Na nota, os socialistas afirmavam ainda que “os desenvolvimentos conhecidos levantam inevitavelmente questões sobre qual é a força política que governa realmente a autarquia e que projeto político está, afinal, a ser executado”, numa alusão à coligação pós-eleitoral do Beja Consegue com a CDU.
Também o Chega, através do deputado António Carneiro, já tinha exigido, na segunda-feira, 7, “verdade e esclarecimentos sobre a crise política” na Câmara de Beja, devido à anunciada suspensão do mandato da vice-presidente Liliana Cabecinha.
“Estamos perante uma crise política no coração do executivo municipal. E os bejenses têm o direito de saber o que realmente se passa”, sublinhou Carneiro em comunicado, questionando “o verdadeiro alcance do entendimento entre PSD, CDS, IL e o PCP” e, “sobretudo, quem governa verdadeiramente a Câmara Municipal de Beja?”.
Também em comunicado divulgado na quarta-feira, 9, o novo Núcleo Territorial de Beja da IL, que integra o Beja Consegue, agradeceu “o trabalho desenvolvido ao serviço do concelho” por Liliana Cabecinha.
Os liberais garantiram ainda que o compromisso do movimento de “uma gestão mais rigorosa, transparente, ambiciosa e próxima das pessoas” na Câmara de Beja “permanece independentemente das circunstâncias ou dos protagonistas de cada momento”.
Notícia atualizada às 11h25 desta quinta-feira, 10, com o comunicado do presidente da Distrital de Beja do PSD









