Projeto “Futurama” quer fazer das artes “uma esperança de futuro”

Quatro concelhos do Baixo Alentejo vão receber o projeto “Futurama”, que ambiciona que cultura e artes sejam “uma esperança de futuro para a região” através de residências artísticas e iniciativas com alunos e grupos corais.

“O Baixo Alentejo tem uma camada populacional bastante envelhecida e um despovoamento crescente. E o que nos interessa com este projeto cultural e artístico é tentar criar um contraponto, para que a cultura e as artes sejam uma esperança de futuro para a região”, explica ao “CA” o diretor artístico do “Futurama – Ecossistema Cultural e Artístico do Baixo Alentejo”, John Romão.

Dinamizado pela Boca – Associação Cultural, o “Futurama” foi apresentado publicamente na sexta-feira, 30 de abril, em Beja, numa cerimónia que contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Trata-se de um projeto “colaborativo, transfronteiriço e multidisciplinar” que tem como “parceiros estratégicos” as câmaras municipais de Castro Verde, Mértola e Serpa, assim como o apoio da Direção Geral das Artes, da Direção Regional de Cultura do Alentejo e da Fundação Millenium BCP.

A iniciativa vai decorrer a partir do mês de maio nos concelhos alentejanos de Beja, Castro Verde, Mértola e Serpa, propondo “um diálogo” entre espaços, territórios artísticos e públicos dos quatro municípios.

“O primeiro impulso [do projeto] é mesmo criar uma coesão territorial entre municípios de uma mesma sub-região, em que muitas das vezes não há uma ligação ao nível de uma agenda comum a nível cultural e artístico”, explica John Romão, que tem raízes na região e é também encenador, programador cultural e curador.

A par deste objetivo, o “Futurama” ambiciona “ligar esses municípios e a região a outras regiões do país, como, por exemplo, Lisboa nesta primeira edição de 2021, e, a partir de 2022, com instituições culturais de outros países”, acrescenta.

Segundo John Romão, o projeto implica “um trabalho a longo prazo, que implica um grande sentido de compromisso” de todos os parceiros e que tem como “foco” a “transdisciplinaridade”.

“É esse diálogo” entre disciplinas artísticas “que interessa desenvolver a nível colaborativo com vários agentes locais e de fora da região”, afirma.

“O Baixo Alentejo tem uma camada populacional bastante envelhecida e um despovoamento crescente. E o que nos interessa com este projeto cultural e artístico é tentar criar um contraponto, para que a cultura e as artes sejam uma esperança de futuro para a região.”

John Romão | diretor artístico do Futurama

Nesse sentido, o projeto irá combinar quatro atividades diferentes, nomeadamente residências artísticas, que terão lugar nos quatro municípios parceiros e onde os artistas convidados irão desenvolver novas criações inspiradas no património cultural, natural ou humano local.

As residências artísticas têm como programadores associados, em 2021, Filipa Oliveira (artes visuais), Rui Horta (artes performativas), Luís Fernandes (música e arte digital), Joana Gusmão & Nuno Lisboa (cinema), sendo que cada concelho vai receber duas iniciativas, num total de oito.

“Cantexto” é outra das propostas do “Futurama”, visando a “salvaguarda e regeneração contemporânea do cante alentejano”.

Para tal, escritores portugueses como Gonçalo M. Tavares ou José Luís Peixoto foram convidados a conceber poemas para serem, depois, cantados por grupos corais alentejanos, numa colaboração que será apresentada ao longo do ano.

O “Futurama” conta ainda com a iniciativa “Constelações”, que se divide em três categorias (oralidade, visualidade e fisicalidade) e propõe encontros entre agentes de práticas tradicionais da região e artistas contemporâneos.

Esses encontros “vão acontecer sempre em espaços diferentes, espaços naturais, culturais, patrimoniais, mineiros, públicos e privados”, adianta John Romão, garantindo que “não haverá repetição de nenhum desses locais”.

“Interessa-nos convocar o público para uma circulação dentro do seu próprio município e entre municípios”, diz.

Finalmente, o projeto prevê um programa educativo, a decorrer até dezembro nas escolas secundárias de Beja, Castro Verde, Mértola e Serpa, composto por três atividades.

Uma destas é o ciclo de conversas “O que é isso do contemporâneo?”, que levará mensalmente, aos estabelecimentos de ensino, artistas contemporâneos, para ‘masterclasses’ ou oficinais.

O programa educativo prevê ainda a criação do coletivo “Futurama Sub25”, composto por jovens entre 15 e os 25 anos e desenvolvido no âmbito digital, com monitorização de Sara Franqueira e Lucia Vives.

“É uma forma de ligar os mais jovens de diferentes zonas do Baixo Alentejo em torno de um projeto comum de capacitação e de empoderamento crítico e criativo, para que eles próprios possa criar as suas criações”, indica o diretor artístico do “Futurama”.

O projeto “A Revolução Somos Nós” é outra das atividades do programa educativo, numa homenagem ao artista alemão Joseph Beuys, cujo centenário do nascimento é assinalado em 2021.

Neste âmbito, alunos de música do Conservatório Regional do Baixo Alentejo e de têxteis da Escola Artística António Arroio, em Lisboa, vão trabalhar numa criação conjunta, que será apresentada no espaço natural dos municípios e, depois, na capital do país.

Segundo John Romão, o “Futurama” tem o objetivo de ir além da edição de 2021, “alargando esta rede a novos municípios” do Baixo Alentejo “em torno de uma agenda comum”.

“Aquilo que estamos a propor não é um trabalho que vai ter um impacto visível imediato, ma sim um trabalho de fundo”, conclui.

Partilhar

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Correio Alentejo

Artigos Relacionados

Role para cima