Campo Branco. Preço dos borregos está a diminuir em 2023

O valor de mercado dos borregos tem vindo a diminuir ligeiramente nos últimos meses em Portugal, revela ao “CA” António Lopes, presidente do conselho de administração do Agrupamento de Produtores Pecuários “Carnes do Campo Branco”, com sede em Castro Verde.

Segundo este responsável, “os valores de mercado [do borrego] já estiveram bem melhor e, neste momento, até desceram”, apesar de estarmos na época de maior consumo desta carne.

“Não foi muito, mas desceram alguma coisa”, sendo que “borregos com 25 quilos ainda se conseguem vender por 95/100 euros”, acrescenta.

António Lopes revela ainda que “os números de vendas de animais andam equiparados” ao ano anterior, na ordem dos 12.000 animais.

Os ovinos são vendidos a “engordadores”, que os preparam e depois comercializam para o Poretugal e para o estrangeiro, sobretudo para o mercado israelita.

“Se tivéssemos aqui um agrupamento forte a nível do distrito, seríamos nós a fazer esse trabalho. Como não temos, temos de passar isso para eles [engordadores] e a mais valia também passa para eles”, lamenta António Lopes.

“Borregos com 25 quilos ainda se conseguem vender por 95/100 euros”, revela o presidente do Agrupamento ‘Carnes do Campo Branco’, António Lopes.

A par desta questão, o presidente do Agrupamento “Carnes do Campo Branco” lamenta igualmente a falta de pastagens, devido à seca, e o aumento do custo dos fatores de produção, o que tem grande impacto financeiro nas explorações agropecuárias da região.

“Nesta altura devíamos estar com os animais no campo sem fazer despesa e o que acontece é que eles andam no campo mas têm de comer ‘à mão’, porque não há pastagens. E o que é certo é que o preço das farinhas continua muito alto. Ou seja, apesar do preço [dos borregos] não estar muito mais baixo, fica muito menos na nossa mão. A rentabilidade [das explorações] é muito menor”, afiança António Lopes.

Tudo isto tem levado a uma diminuição do efetivo pecuário no Campo Branco, “porque as pessoas não aguentam”.

“Não há perspetivas de chover, não há pastagens, não há reservas em casa e as pessoas veem-se desesperadas e começam a vender os efetivos”, observa António Lopes, garantido que muitos agricultores estão a vender grande parte do seu efetivo bovino “para abate”.

“Se calhar já baixámos 4.000 a 5.000 animais. E nos ovinos começamos a ir pelo mesmo caminho, porque as pessoas não têm condições de alimentar os animais. Estar só a suportar farinha e palha compradas ninguém consegue. É muito complicado”, conclui.

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Correio Alentejo

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