Nelson Brito: “Aljustrel usa a terra com outra esperança”

Nelson Brito: “Aljustrel usa

Com a Feira do Campo Alentejano quase a começar, o presidente da Câmara de Aljustrel vinca ao “CA” que a agricultura é uma das maiores potencialidades do concelho.

Qual a importância da Feira do Campo Alentejano (FCA) para Aljustrel?
Em primeiro lugar, é um momento de afirmação do concelho. Seja naquilo que é a linha orientadora da Câmara, mas também naquilo que o mundo privado faz [no concelho]. Uma segunda questão importante é que Aljustrel se encontra consigo mesmo na FCA, através do convívio e da diáspora que se reencontra. Os aljustrelenses fazem da FCA o grande ponto de encontro da nossa comunidade.

Sente que a FCA é cada vez menos uma feira na sua definição habitual e cada vez mais um espaço de negócios?
Este tipo de feiras tem evoluído de acordo com as características do tempo que as rodeia. Hoje há uma vertente muito importante neste tipo de feiras que é o comércio a retalho do produto rural e característico. Parece-me que isso veio constituir uma nova característica neste tipo de feiras. Além disso, é na FCA que devem estar concentradas todas as actividades que de alguma forma espelham a imagem deste território e não estão ligadas à mina. A FCA é um espaço de afirmação do nosso mundo rural.

A agricultura já é o sector com mais peso na economia local?
Ainda não, mas é um sector que queremos que tenha cada vez mais potencial. Disse e continuo a dizer que temos de trabalhar – e é o que estamos a fazer – numa constante visão de alternativa ao sector mineiro. E é nesta altura em que o sector mineiro está com vigor e gera paz social que temos de fazer o ‘trabalho de casa’ e criar alternativas ao sector mineiro. Seja dentro do próprio sector mineiro, com as vertentes ambiental, turística ou de investigação – e daí o próprio Parque Mineiro estar em tratamento –, seja fora deste sector, onde a agricultura surge como a grande alternativa para criar independência à dependência do sector mineiro.

Que tem sido feito para tornar esse potencial numa realidade concreta?
Há cerca de quatro anos, quando falei pela primeira vez sobre a FCA nesta qualidade [de presidente de Câmara], disse que estavam a decorrer obras na rede secundária e que a água de Alqueva ia ser uma realidade nos nossos campos no espaço de dois ou três anos. E isso aconteceu! Estes três anos serviram para Aljustrel ficar com a infra-estruturação da rede secundária em sensivelmente 20 mil hectares.

Esses 20 mil hectares já estão todos a ser utilizados?
Ainda não, mas hoje há um usar da terra com outra esperança! Há muitos hectares que já estão a ser utilizados – ou a ser novamente utilizados – e há outros que estão potenciados. E no espaço de uma década, espero que estes hectares de regadio sejam colocados a produzir uma série de produtos. Até porque defendemos que a agricultura não deve ficar reduzida a uma nova monocultura, que foi durante muito tempo o problema da região.

É preciso diversificar?
Precisamente! E por isso é que me tenho debatido para que no território do concelho de Aljustrel aconteça a diversificação agrícola a partir do regadio. Por isso temos no concelho o maior amendoal da Europa, temos olival e um projecto para um lagar – cujo licenciamento está a decorrer na Câmara –, temos as romãs ou as cebolas. E é esta imagem que acho ser importante: conseguirmos diversificar o nosso tecido produtivo em termos agrícolas, que também irá potenciar uma outra coisa que será importante nos próximos anos, que é a agro-indústria.

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Correio Alentejo

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