Luís Pita Ameixa defende reformas profundas no Partido Socialista

Luís Pita Ameixa defende reformas profundas no Partido Socialista

Em tempo de mudança no PS, o líder distrital de Beja defende várias “reformas” internas para combater o “desafecto”, entenda-se fraco relacionamento, que os partidos têm com a sociedade civil, nomeadamente com os jovens.
“É preciso encontrar um novo paradigma de organização e funcionamento dos partidos e do seu relacionamento e interacção com a sociedade”, avisa Luís Pita Ameixa, presidente da Federação do Baixo Alentejo e deputado na Assembleia da República.
Num documento a que o “CA” teve acesso, onde exprime a sua “opinião pessoal” e manifesta inquietação com a crescente abstenção dos eleitores, Ameixa considera que o PS “pode e deve ser pioneiro” nesta matéria, “colocando-se na dianteira da inovação política”.
Assim, o deputado advoga que é necessário “atacar o mal pela raiz” e, no caso do seu partido, propõe que o poder interno “deve deixar de depender” do pagamento de quotas de quotas e do número de militantes – “A sociedade tem de contar mais para a vida e a tomada de decisões no interior do partido”, assinala.
Sem se esquivar a uma explicação mais detalhada, Luís Pita Ameixa considera que “o poder interno” das concelhias ou das federações deve estar directamente ligado à representatividade que o PS consegue na sociedade.
“Em vez das quotas pagas, o peso de cada concelhia ou federação deve decorrer da representatividade externa aí conseguida pelo partido, medida pelos resultados que consiga obter nas urnas, ponderado entre as eleições autárquicas, legislativas e europeias”, explica.
Em termos práticos, Ameixa quer que num distrito como Beja, onde o PS ganhou as últimas eleições legislativas e tem mais de 50% das autarquias locais, o partido passe a ter uma influência interna mais forte no contexto nacional.
As ideias do líder regional socialista não ficam por aqui! Ameixa quer que os dirigentes do partido sejam, “principalmente, representantes sufragados pelo povo”, como presidentes de câmara e de juntas de freguesia e, claro, deputados. Porquê? Para transportarem consigo, para dentro do PS, a “legitimação, mensagem e compromisso directo com a sociedade”.
A limitação do poder dentro e fora do PS é outra proposta do líder regional do Baixo Alentejo, que defende uma limitação de mandatos “generalizada”. Refira-se, contudo, que esta situação já acontece na Presidência da República, no Governo e nas autarquias. E até no Partido Socialista, onde Ameixa cumpre o seu último mandato como líder da Federação do Baixo Alentejo.
Já no que diz respeito ao funcionamento do grupo parlamentar, as limitações são outras e o dirigente quer vê-las ultrapassadas. No essencial, Ameixa, que é deputado desde 2005, defende “que se afirme a radical igualdade de todos os deputados, porque [são] iguais representantes do povo”.
Finalmente, ainda no plano das decisões internas do PS, Pita Ameixa acha que “deve dar-se outra expressão política dos autarcas na decisão nacional.” E propõe “uma nova base programática, de médio prazo”, que ajude o partido a combater “as diferenças e injustiças sociais”.
“[É preciso] Uma política de rendimentos virada para a equidade e uma política de acesso aos bens sociais direccionada para a generalização”, conclui.

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Correio Alentejo

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