FAABA quer regantes mais presentes nas decisões sobre regadio do Alqueva

A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA), com sede em Beja, defende “uma maior participação” dos regantes, através das suas estruturas representativas, na gestão da rega do Alqueva “e nas decisões a ela referentes”.

Em comunicado enviado ao “CA”, a FAABA sustenta que, “tendo em conta os períodos de seca cada vez mais regulares e a importância do regadio para manter salvaguardada a normalização das produções agrícolas”, é “imprescindível o reforço da necessária articulação entre a EDIA e as associações de regantes”.

De acordo com a Federação, “a falta de planeamento e a falta de comunicação da EDIA com as associações de regantes pode colocar em risco vários milhares de hectares de culturas já instaladas, no perímetro de rega de Odivelas”, no concelho de Ferreira do Alentejo.

Em causa está o facto de a EDIA ter comunicado, “em finais de Junho”, à Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO) “que não poderá cumprir o plano de transferência de água de Alqueva/Alvito/Odivelas prevista para 2022”, transmitido à empresa do Alqueva a 3 de fevereiro.

“Este é um exemplo da falta de coordenação ou da resposta bastante tardia que vai fazer toda a diferença para as culturas já no terreno naquela área de regadio”, sustenta a FAABA, acrescentando que, segundo a ABORO, se trata “de um corte no fornecimento de água que poderá chegar aos 28%, só agora comunicado e que, nesta fase da campanha de rega, inviabiliza a adoção de medidas mitigadoras para acomodar a redução do volume de água no fornecimento decidido pela EDIA”.

Por isso mesmo, e “face às atuais circunstâncias, no próximo mês de setembro poderá não haver disponibilidade de água na barragem de Odivelas para satisfazer as necessidades de rega de milhares de hectares de culturas instaladas no referido aproveitamento hidroagrícola”, reforça a Federação.

“Esta circunstância leva-nos a encarar o futuro com muita apreensão, dado que só agora estão a entrar em funcionamento os blocos de rega da segunda fase, o que significa que no futuro este tipo de constrangimentos irão aumentar, sobretudo se, como se tem vindo a verificar, não houver o devido planeamento por parte da EDIA e a articulação entre esta empresa e as associações de regantes que recebem água de Alqueva”, diz o comunicado da FAABA.

Tido isto leva a Federação a reclamar “uma maior participação” dos regantes, através das suas estruturas representativas, “na gestão da rega de Alqueva e nas decisões a ela referentes”.

“O que se está agora a passar com a ABORO com consequências nefastas para os beneficiários da rega daquela zona poderá repetir-se em outras áreas sob gestão de outras associações de regantes”, conclui a FAABA.

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Correio Alentejo

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