Empresa da Califórnia produz morangos e framboesas no Litoral Alentejano

Empresa da Califórnia produz morangos e framboesas no Litoral Alentejano

Verão após Verão, o tráfego na estrada que liga São Teotónio às praias da Zambujeira do Mar é incessante. Mas na ânsia de chegar à beira mar, poucos condutores se aperceberão que a escassos quilómetros dali, já a meio caminho do Brejão, é possível descobrir um “delicioso” segredo tingido a tons vermelhos: um par de dezenas de hectares de terrenos arenosos, na sua maioria a produzir framboesas, amoras e morangos da mais alta qualidade.
A “culpa” é da Driscoll’s, empresa norte-americana com mais de 65 anos de história e especializada na comercialização de frutos vermelhos um pouco para todo o mundo, que descobriu na freguesia da Zambujeira do Mar o local ideal para em 2004 dar início à sua “aventura” em solo europeu.
“Este local foi escolhido a dedo! A nossa empresa tem sede na Califórnia e as condições edafoclimáticas desta região têm muitas semelhanças. Daí a Driscoll’s ter iniciado esta região para iniciar o seu processo de desenvolvimento na Europa. Depois a empresa expandiu-se e hoje já tem uma estrutura europeia, com sede em Breda, na Holanda, e locais de produção na Espanha, na própria Holanda, Bélgica, Alemanha, Marrocos… Mas o início foi mesmo aqui, na Zambujeira do Mar”, conta ao “CA” Arnoldo Heeren, um português nascido no Brasil que tem nome de holandês e que dirige actualmente as operações da Driscoll’s Portugal.
Por norma, continua Arnoldo Heeren, a empresa californiana actua no campo da “pesquisa e desenvolvimento de variedades” de amoras, framboesas, morangos e mirtilos (cultura ainda inexistente em Portugal), cedendo o direito de uso das plantas patenteadas aos produtores que se tornem seus parceiros e recebendo como contrapartida toda a produção. A comercialização do produto é a outra “face” do negócio da Driscoll’s, que em Portugal acabou por também entrar na produção para “ganhar escala no negócio rapidamente”.
“Não temos no nosso ADN a produção, apesar de sermos uma empresa formada por produtores. Aliás, em todo o mundo só há dois lugares em que a Driscoll’s está na produção: em Portugal e no Chile”, sublinha este responsável, frisando que é também no Litoral Alentejano que se encontra um dos seis campos de testes de variedades que a empresa tem na zona da Europa, África e Médio Oriente.
Com sete anos de presença em Portugal, a Driscoll’s tem vindo a apresentar números sempre em crescendo. Proprietária de mais de 150 hectares de terreno no concelho de Odemira, a empresa tem apenas 20% da área em produção, mas está em plena expansão, ainda que tenha de lidar com as restrições impostas pelo Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano. Mas a esta área junta ainda os terrenos dos 30 produtores associados que tem espalhados pelo Litoral Alentejano, Algarve e Ribatejo, num total a rondar os 200 hectares.
É daí que saem, por ano, toneladas de morangos, amoras e, sobretudo, framboesas, que são colhidas manualmente, embaladas no local e enviadas para o mercado retalhista que as fazem chegar aos consumidores. Um negócio que em 2010 representou entre 15 a 20 milhões de euros, facturação que reporta à Lusomorango, a organização de produtores responsável pelas vendas da Driscoll’s em Portugal.
“A maioria das framboesas, mais de 90%, vai para exportação, sobretudo para a Europa do Norte. E nos morangos, entre 60 e 70% é exportado”, revela Arnoldo Heeren, admitindo que a empresa “ainda tem muito para crescer” no mercado nacional, onde vende nas grandes redes de retalho com nome próprio ou sob a marca Aromas.
“O grande mercado consumidor deste tipo de fruta continua a ser o norte da Europa, mas estamos a tentar cada vez mais avançar com os mercados locais”, afiança o director de operações da Driscoll’s Portugal, assegurando que, nesse sentido, a empresa está “numa fase de expansão” e à procura de “pessoas que estejam interessadas em serem seus produtores”.

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Correio Alentejo

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