Dois arguidos por não pagarem a imigrantes em Beja

Dois arguidos por não

Duas pessoas que contrataram 22 imigrantes que passaram fome em Beja devido a falta de pagamento por trabalho na apanha de azeitona já foram constituídas arguidas.
Num comunicado enviado à Agência Lusa, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) refere que os dois cidadãos estrangeiros, "alegados traficantes", com residência e actividade empresarial em Espanha e Portugal, foram constituídos arguidos, no âmbito de uma investigação em curso relativa ao crime de tráfico de pessoas.
No âmbito da investigação, o SEF desenvolveu diligências relacionadas com os imigrantes, os quais tinham sido contratados pelos arguidos para trabalhar na apanha da azeitona em olivais na zona de Beja, onde "se encontravam em situação de extrema vulnerabilidade originada pela falta de remuneração" pelo trabalho que tinham efectuado.
O SEF explica que ouviu as alegadas vítimas e os depoimentos prestados foram "consistentes com a prática dos crimes de tráfico de pessoas, burla relativa a trabalho ou emprego e ameaça" por parte dos arguidos em relação aos imigrantes, aos quais foi providenciado apoio, acolhimento e protecção em articulação com a Cáritas de Beja.
Segundo o SEF, foi apreendida documentação que atesta que os arguidos contrataram e colocaram os imigrantes a prestar serviço na apanha da azeitona em olivais nas imediações de Beja.
Os arguidos alegaram não ter procedido ao pagamento do trabalho efectuado pelos imigrantes por si contratados porque "não conseguiram receber as somas acordadas com os empregadores nacionais, proprietários das herdades onde os trabalhadores prestaram serviço".
Por sua vez, refere o SEF, os proprietários das herdades justificaram o atraso nos pagamentos com "várias irregularidades fiscais" que os arguidos apresentavam.
O caso terminou com a regularização das dívidas aos imigrantes, refere o SEF explicando que os empregadores nacionais acabaram por entregar as quantias acordadas aos arguidos, os quais depois liquidaram os pagamentos em falta aos trabalhadores.
Segundo o SEF, a investigação criminal prossegue, sob direcção do Ministério Público de Beja, pelos indícios dos crimes de tráfico de pessoas, burla relativa a trabalho ou emprego e ameaça.

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Correio Alentejo

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