"D. Maria, a Louca" sobe ao palco do cine-teatro de Castro Verde

"D. Maria

Finais de 1807, baía de Guanabara. Com a futura “cidade-maravilhosa” de frente, uma nau portuguesa espera sem pressas o seu destino mantendo-se ancorada nas águas quentes que banham o Rio de Janeiro. No interior da vetusta embarcação o tempo parece não correr à mesma velocidade que em terra, numa espera lenta que deixa à beira da loucura a sua mais proeminente passageira: D. Maria, mulher em território de homens, defensora das artes e da ciência, rainha de Portugal.
É este o mote de “D. Maria, A Louca”, peça de teatro que a companhia “A Barraca” apresenta este sábado, 3, a partir das 21h30, no cine-teatro municipal de Castro Verde.
Encenada e interpretada pela conhecida Maria do Céu Guerra (que em palco se junta a Adérito Lopes) a partir de um texto do brasileiro António Cunha, a peça estreou em 2011 e ficciona os dias da chegada ao Brasil da mulher que foi a primeira rainha de Portugal por direito próprio.
“D. Maria não foi a única cabeça coroada a perder a razão em Portugal. Mas foi a primeira mulher a reinar nosso país. E isto faz dela talvez uma das mais martirizadas e comoventes figuras da nossa história”, conta ao “CA” a encenadora-actriz da peça.
Para Maria do Céu Guerra, D. Maria é mesmo “uma heroína, heroína bufa por vezes, mas sempre grandiosa, na euforia ou na dor”.
Uma mulher que ao longo do seu reinado se viu “entregue a um sem número de pressões a que não resistiu”, acrescenta.
Em “D. Maria, A Louca” o público é transportado para os alvores do século XIX, numa altura em que a Europa se encontra em guerra às custas do ímpeto conquistador de Napoleão e a família real portuguesa é “obrigada” a embarcar para o Brasil.
Retirada à pressa da clausura do convento onde se encontrava há anos devido aos seus problemas de (aparente) insanidade, D. Maria acaba por revelar na viagem alterações de comportamento que obrigam o filho, D. João VI, a ordenar a sua permanência na nau à chegada ao Rio de Janeiro.
Começa então o monólogo de D. Maria com a aia Joaninha, num texto virtuoso que consegue dar forma à “visão dantesca” que a regente constrói do Brasil a partir da janela do seu camarote.
“D. Maria vê estranheza, desordem e insanidade diante de si, da mesma forma como vêm os seus súbditos quando diante dela”, vinca o próprio António Cunha.

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Correio Alentejo

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