Uma obra indispensável

Quinta-feira, 17 Novembro, 2016

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Durante a recente Conferência Mundial do Clima, realizada na cidade marroquina de Marraquexe, ficámos a saber que 15 dos anos mais quentes do último século foram registados… a partir de 2000. A estatística não desmente e a realidade está à vista: o tempo mudou e as alterações climáticas são um problema de todos. E aqueles que, como nós, vivem no Baixo Alentejo sabem bem do que falam sobre esta matéria, sobretudo porque a precipitação na região nos últimos dois anos tem sido quase zero!
De acordo com muitos especialistas no tema, os períodos de seca no Baixo Alentejo vão ser cada mais frequentes e urge, nesse sentido, encontrar as melhores soluções para evitar males maiores. Foi o aconteceu há duas décadas, com o início das obras do Alqueva, que permitiu a chegada de água em quantidade e a tempo e horas a várias albufeiras da região, assim como a milhares de hectares de terra que hoje são altamente produtivos.
Mas este trabalho ainda não está concluído. É certo que expansão do projecto do Alqueva é uma certeza para os próximos anos, mas continua sem incluir nos seus projectos qualquer ligação da grande barragem à zona mais a sul do Alentejo, nomeadamente ao Monte da Rocha. O que é incompreensível! Situada no concelho de Ourique e servindo para o abastecimento de mais quatro municípios e cerca de 6.000 hectares de regadio, não se justifica que esta albufeira continue a ficar de fora deste projecto. Ainda para mais quando a barragem do Roxo, onde a água do Alqueva chegou em 2009, está bem próxima! Urge portanto que esta ligação seja avaliada com seriedade por quem de direito e que possa vir a ser incluída no plano de expansão do Alqueva. Caso contrário, e continuando o tempo como agora, esta zona pode vir a tornar-se num verdadeiro deserto.

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