Um enorme problema

Quinta-feira, 24 Outubro, 2019

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Os dados chegaram no final da passada semana, quase sem ninguém dar por eles. De acordo com o estudo “Ageing Europe 2019”, divulgado a 18 de Outubro pelo Eurostat, o envelhecimento da população vai acelerar mais em Portugal do que noutros países no futuro próximo. O relatório indica mesmo que em 2050, ou seja, daqui a três décadas, Portugal vai ser o país mais envelhecido de toda a União Europeia, com 35,1% da sua população com 65 ou mais anos (acima da média europeia, que será de 28,5%). Pior: daqui a 30 anos 47,1% da população portuguesa terá 55 anos ou mais.
Estes são números que devem suscitar alerta entre todos nós, enquanto comunidade. Há muito que sabemos que a nossa pirâmide etária está invertida, mas a estimativa do Eurostat coloca o “dedo na ferida” e comprova uma evidência há muito sentida (sobretudo em territórios do interior, como o Baixo Alentejo): é preciso rejuvenescer a nossa população. Porque um povo sem jovens é um povo sem futuro, condenado a uma morte lenta à medida em que as sucessivas gerações vão sendo cada vez mais reduzidas.
Por tudo isto, não há tempo a perder. E exige-se que sejam criados, tanto no plano nacional como a nível local, mecanismos que possam ajudar a contrariar esta tendência. Como? A resposta está longe de ser simples, mas terá necessariamente de passar por uma política efectiva que incentive o aumento da natalidade, assim como criar as condições para que ter filhos não seja um “risco”. Ou se age agora ou lamentaremos (ainda mais) no futuro.

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