Um bom exemplo de abandono

Quinta-feira, 19 Novembro, 2015

António José Brito

director do correio alentejo

Naquele início do Outono de 1985 estávamos prontos! Ter frequentado a “velha” escola que fora externato tinha sido um grande prazer mas, depois de meses e meses de construção, ali estava o momento de mudar da António Francisco Colaço para a nova Secundária de Castro Verde.
Pessoalmente também foi um tempo novo. A entrada para o 10º ano de escolaridade, as áreas opcionais, as novas disciplinas e… 15 anos acabados de completar com todos os desafios e incertezas que uma idade assim deixa povoar na nossa mente.
Muito mais rápido do que eu gostaria, passaram-se 30 anos e várias gerações de alunos, professores e auxiliaraes de educação. A “nossa” escola, entretanto, deixou passar por si a idade e deixou-se chegar ao estado lastimável em que hoje se encontra.
Não é sem tristeza que muitos de nós, que abrimos aquela escola no dia inicial, olhamos hoje para um edifício muito degradado. Uma casa onde couberam todos os nossos sonhos e, nestes últimos anos, igualmente povoada pelos sonhos dos nossos filhos, tem telhados que deixam passar a chuva, janelas com estragos acelerados, mobiliário antigo e completamente degradado. Pior ainda: as coberturas acolhem materiais com amianto que colocam em risco a saúde de quem ali estuda e trabalha! Parece, portanto, muito óbvio que este quadro, incompatível com a actividade lectiva, não é compreensível e está a prejudicar bastante a comunidade escolar.
A Escola Secundária de Castro Verde tem necessidade urgente de obras. Aliás, tal como estava decidido mas, de modo incompreensível, foi olimpicamente abandonado pelo Governo da coligação PSD/CDS.
É bom lembrar aos que têm menos memória que o programa de intervenções do “célebre” Parque Escolar, criado para dar resposta a problemas graves de degradação em muitas escolas do país, tal como a Secundária de Castro Verde, foi suspenso em nome da rigidez e da obsessão orçamental.
No início do segundo semestre de 2011, por ordem de Passos e Portas, a Parque Escolar iniciou a reavaliação do programa de modernização das escolas com ensino secundário. Neste contexto, a empresa apresentou ao Governo um plano de readaptação e redução de custos. Em Setembro de 2011 foi suspenso o início das obras em 34 escolas inseridas na terceira fase do programa e suspensos os procedimentos iniciais da quarta fase, onde estava incluída a obra na Secundária de Castro Verde.
Ter memória é conhecer quem sempre teve uma estratégia clara e bem calendarizada para resolver um problema tão grave como aquele que tem a “nossa” escola. E saber quem mandou abortar essa estratégia! Infelizmente, nesta como noutras áreas, quem nos governou nos últimos quatro anos decidiu abandonar-nos sem remorsos. Mesmo que para trás fique uma geração inteira de jovens que, merecendo o melhor da sociedade e do Estado, é diariamente obrigada a frequentar uma escola sem um mínimo de condições e qualidade no seu espaço físico.
Lutar contra esta situação e exigir uma resposta urgente, que passa por todas as obras necessárias na Escola Secundária de Castro Verde, é um dever e uma responsabilidade de cada um de nós. Cada Castrense, sem hesitações, não pode calar um grito de protesto e exigência. Em nome do futuro!

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