Tragédia grega no purgatório de Bruxelas

Quinta-feira, 6 Agosto, 2015

José Velez

Vice-Presidente da Câmara de Beja

Correu mal!
No pantanal europeu, para agrado do cinzento Schauble, qual grifo comandando o seu séquito de corvídeos, já no final do ajuste de contas, os mais fiéis súbitos colocaram o pé esquerdo (maldição!) em cima da cabeça do grego Tsipras e pediram a Passos, diligente, que assumisse a ideia como sua, para afundar em definitivo o inconveniente helénico! Mas, eis que o grego, admirador de Apolo, desesperado, conseguiu agarrar o calcanhar de Aquil…, perdão, dum qualquer Pedro e, num último esforço com um empurrãozinho do Deus Dionísio (vindo de uma noitada a caminho do Olimpo e com os copos), conseguiu alcançar o ramo duma videira, sobrevivente às catanadas bálticas, eslovacas e do xerife finlandês de Nottingham.
Hollande, lembrou-se dos gauleses e, confundindo-se com Cacofonix, mais gordito e careca, não cantou (ufa!), mas estendeu-lhe in extremis um cachecol aos quadradinhos que estava com os cadilhos de fora da 1ª gaveta dum aparador muito visitado pelo mulherio mais importante…quase jurou que era o cachecol perdido pelo louco motoqueiro do Pireu, Yaris. Matteo Renzi, hirto como um senador romano, aproveitou o momento quase magnânimo e ajudou a puxar o infeliz grego. O Super Mário, Dragui, maquiavelicamente sorriu para a “mayoral” do rebanho, perdão, do tresmalhado euro-grupo, a temida Ãngela, longe da aparência esguia e adunca da águia imperial alemã, bem disfarçada e rechonchuda. A Sra. Lagarde, essa sim, de rapina aparência, depenada do cachecol que tanto a excitava, engoliu em seco, recordou Maria Antonieta e aproveitou, submissa, para pôr a salvo a garganta, telefonando ao chefe de gabinete de Obama. Juncker, qual barata tonta, não sabia se havia de rir ou chorar, ora com vontade de fazer chichi, ora com vontade de fazer cocó. Então houve uma falha de luz; o ambiente tornou-se sepulcral, vampírico, lembrando os momentos que precediam as grandes e furiosas tempestades de Poséidon, se preciso com dentadas de Drácula no escuro, agora em versão fantasmagórica flamenga, de Bruxelas. Rangem dentes e cadeiras, guincham navalhas de ponta e mola, zurzem cutelos, cheira a enxofre, ureia e intestinos, tudo por entre olhares atónitos ou extasiados, terríficos ou aterrorizados ou até, fartos ou divertidos…Alguns caem, outros agarram-se a quem estiver ao lado, outros ainda tentam mudar de lado, à última hora, como o “nuestro hermano” Rajoy, que tenta a sorte numa inesperada, ainda que trôpega, chicuelina. Olé!
Finalmente, à luz dos candelabros e em terra firme, Alexis Tsipras, de joelhos clama por Ares, mas apenas balbucia Varoufakis! Tenta gritar por Afrodite, mas somente Merckel olha para ele…! Como última vingança, antes da tortura final, ameaça acusar Lagarde de exploração infantil (ele ainda criança e a ter de trabalhar mais de 17 horas por dia!); ameaça recusar-se a dormir qualquer sesta com a Sra Merkel (impróprio e quase pedófilo); ameaça partir os óculos e não oferecer mais diplomas de mestrado ao holandês Dijsselbloem; ameaça furar as rodas da cadeira do Sh…Nãooooo!… esgotado, quase inconsciente…levam-no para um modesto gabinete dum funcionário de Bruxelas (um simples T1+1, cozinha, wc, jacúzi e varanda, para a praça). É levado na cadeira de rodas do, imagine-se, Schauble! Em transe, com visíveis marcas no semblante das tareias das últimas horas (e dias…), com uma impensável gravata azul e branca emprestada, é Tsakalotos, o último financeiro do Pireu, de mochila às costas, que serve de suicidário “empurrador da cadeira”. Mas não desistem, os gregos! Recusam-se a sair do curral, desculpem, do edifício sem um autógrafo assinado por todos. Já o Sol ia alto, quando finalmente conseguem as dezoito assinaturas…ainda que em papel higiénico, cor-de-rosa (folha simples) e partem na mota de Varoufaquis (escondida em lugar seguro), para a cidade berço da Democracia, de Aristóteles, Sócrates e Platão!
Antes, o ministro das finanças alemão, teve ataque de fúria por o Coelho Pedro, um animal seu de estimação, ter falhado, com todos os outros súbitos, o fim de Alexis o grego, pois apesar de bem sovado e achincalhado, tinha sobrevivido. Por apelo ao Olimpo ou por praga invocada, quem sabe, foi atingido, como um raio dos Deuses, por um violentíssimo aperto entérico e esborreteou-se cadeira abaixo e depois no mármore duma casa de banho de serviço, com entrada estreita, pelo que o veículo de rodas ficou à porta, “cagado” e desprezado. Foi assim, que o transporte do chefe das finanças do 4º Reich, nauseabundo, pôde servir para levar, desfalecido, o 1º ministro ateniense. Pedro, até então bom aluno e obediente, ao ver o olhar virulento de raiva, de Herr Schauble, misturado com espasmos dolorosos, persistentes e aromáticos sons sanitários, virou Coelho. Ficou estarrecido como se fosse perseguido por um bando de corvos, ou, pior, pela águia germânica! Com Passos rápidos correu, fugiu, tropeçou e, esbaforido, foi cair nos braços da sua bem ou mal, aventurada ministra loira de pele alva e generosa bunda – Maria de Luís, para os íntimos, a “Morgada de Albuquerque e Impostos”. Então, por entre toda a confusão, a que se juntaram longínquos uivos euro-siberianos e risos de hienas Ming, abraçados, choraram como nunca o haviam feito. Não com pena dos gregos, mas receando o futuro e a ira da águia germânica e dos aliados corvídeos! Quem sabe se, para castigá-los, o Herr Schauble não lhes irá recusar o seu regaço e deporta-los, lá para Outubro, para a Acrópole?!?!!
De resto, tudo e todos, feitas as devidas limpezas, tratamentos e arrumações, aguardam pelas cenas dos próximos capítulos da novela, perdão, da tragédia grega, para muitos, numa linguagem mais bíblica, o já penoso Calvário Europeu!

Nota – No burgo lusitano, uma quinta menor, iniciava-se a caminhada para o assalto a S. Bento. Reinava e reina uma balbúrdia confusa, tipo aldeia dos macacos, entre a maioria governamental, bajuladora dos alemães, as cautelas e caldos de galinha dos sociais-democratas e socialistas e a esquizofrenia dos esquerdistas mais vermelhudos. Entre eles, Catarina a pequenina passionária, chorava histericamente pela humilhação de Alexis e pelo estado quase comatoso em que poderá ficar o irmão maior do Bloco, o Syriza, que até parece já não ser de esquerda; o grande camarada bolchevique Jerónimo, espumando de raiva, maldizia Putin por estar falido, sem rublos e Pedro por ter tido uma ideia falhada, salvando-se o grego de ser expulso…e logo ele que o tinha como amigo e aliado; António, o Costa que já passou o castelo a Medina, tudo fazia e faz para evitar as laradas do bando dos pássaros que escolheu e o acompanha, raios e coriscos, tudo lhe quer cag…cair em cima; finalmente, o irrevogável Paulinho recusou pôr o seu bem aviado nariz em mais feiras, assobiou para o lado e escondeu-se num submarino (daqueles vindos da Alemanha….) até a borrasca passar, disfarçado com peruca grená e…bigode!

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