Silêncio

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Decorreu no concelho de Castro Verde, entre os dias 19 de Abril e 4 de Maio, a 18ª edição da Quinzena Cultural “Primavera no Campo Branco”. A iniciativa repete uma filosofia de participação da população cada vez mais rara, desenvolvendo iniciativas que atingem todos os públicos, mais ou menos exigentes, com maior ou menor apetência para esta ou aquela actividade, seja ela de âmbito desportivo ou cultural. Exposições de pintura, onde pontuavam Graça Morais, Júlio Pomar, Chichorro ou Malangatana, ao lado de artistas de menor nomeada; feira do livro, apresentação de livros com a participação de Águalusa ou Manuel Fialho, para não falar de Júlio Magalhães, para além da maratona de leituras; espectáculos de música popular, regional ou de cariz mais étnico em que pontuaram todos os grupos do concelho a par da participação do Tim (Xutos e Pontapés) ou Ala dos Namorados; o bike paper familiar, o BTT, o radiomodelismo ou o Grande Prémio de carrinhos de rolamentos; o concerto da banda na noite de 24 ou o concerto da Primavera realizado pela 1º de Janeiro no campo, a par do cante e folclore no Corvo ou o fado na Estação de Ourique e… um nunca mais acabar de iniciativas. Milhares de pessoas participaram nesta iniciativa. Mas dela, pouco se ouviu falar. Um silêncio natural da comunicação social de âmbito nacional, o que não deixa de ser natural, mas cima de tudo, um quase silêncio da regional. Outras prioridades, naturalmente. Mas não deixa de ser preocupante que uma iniciativa desta dimensão passasse quase ao lado dos olhos sempre apurados do pessoal da informação. Os poucos meios não justificam tudo. Mas são uma boa desculpa. No entanto, importa referir a importância que teria a existência de um emissor regional da Antena 1, para dar o mesmo tipo de tratamento que actualmente dá à informação do Algarve. Ouvindo o emissor regional, ficamos a saber tudo o que se vai passando naquela região, onde não faltam minutos suficientes para a gastronomia, para as figuras típicas, para o desporto regional, para as guerras intestinas de deputados maravilha. Para este Alentejo, restam alguns minutos semanais, numa região situada na nebulosa entre o regional de Lisboa e o de Faro.

<b>PS: </b>Assistimos na segunda-feira, 5, na SIC, a um excelente trabalho sobre a actividade desenvolvida pela TAIPA no concelho de Odemira. Parabéns à reportagem e a todos aqueles que acreditam nestas terras do interior.

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