Será Solução?

Sexta-feira, 6 Outubro, 2023

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

Que a inflação anda “pela hora da morte” todos o sabemos. Aliás, todos o sentimos, dia após dia, na carteira, seja nas idas ao supermercado, na hora de abastecer o depósito do carro ou sempre que se consulta o extrato bancário para verificar quanto foi a prestação do crédito à habitação nesse mês. O aumento do custo de vida tem sido vertiginoso nos últimos dois anos e, para desespero de muitos, não parece ter fim à vista.
Por isso, e para controlar a inflação, o Banco Central Europeu tem apostado numa política de aumento das taxas de juro, para controlar a subida da inflação e manter os preços estáveis. Uma opção dolorosa para cidadãos e empresas, mas que deverá manter-se por mais algum tempo (previsivelmente até 2025), segundo a presidente da instituição.
“A nossa missão, o nosso dever, é fazer com que a inflação regresse rapidamente ao nível que definimos [2%]”, assumiu recentemente Christine Lagarde, para logo acrescentar: “Quanto mais depressa lá chegarmos, mais estáveis os preços vão ser e menos doloroso será o caminho que teremos pela frente, tanto para aqueles que investem, como para quem se endividou [junto do banco]”.
Que quer tudo isto dizer? Que as dificuldades estão para continuar enquanto durar a inflação, o que implicará taxas de juro elevadas para controlar o consumo e reduzir preços.
Na teoria da Economia, tudo isto pode estar correto e ser o mais acertado a fazer. Mas em termos práticos, para quem vive no dia-a-dia a contar os euros de que necessita para pagar as contas do mês, a sensação é de garrote à medida que o tempo passa. Como diz o ditado, podemos estar “a matar o doente com a cura” e, no caso português, a regredir décadas em matéria de desenvolvimento social. Se assim for, a inflação poderá ser o menor dos nossos problemas.

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