Política ferroviária

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

António Brotas

professor jubilado do IST

A possivel entrada em funcionamento dentro de poucos anos da linha de bitola europeia do Poceirão a Badajóz tem uma importância imensa para a nossa economia.
No Poceirão está prevista uma plataforma logística. Com a nova linha, a nossa actual rede de bitola ibérica (que converge no Poceirão) fica ligada à rede europeia de bitola europeia (“standard”) e nossas mercadorias poderão seguir por ferrovia até à Polónia. Sem a nova linha, nem atravessariam a nossa fronteira quando a Espanha suprimir as linhas de bitola ibérica.
A linha do Poceirão a Caia será integrada (integralmente ou em parte – depende da futura travessia ferroviária do Tejo) na futura linha de Lisboa a Madrid, por onde circularão comboios TGV. Mas, para além dos comboios de mercadorias e dos TGV, por esta linha circularão os comboios locais de passageiros. Esta função, que tem sido algo esquecida, deve ser considerada agora quando a linha está a ser projectada.
É esta linha que irá reabituar os alentejanos a andar de comboio. Para isso deve ter estações perto de Vendas Novas, Montemor o Novo e Évora. Os comboios TGV destinados a Madrid não pararão, obviamente, em todas estas terras. Nem passarão a 300 km/h nas suas estações.
Devem ser previstos desvios e neles construidas as estações onde poderão parar e ficar estacionados os comboios de trânsito local e de mercadoria. A avaliar pelos mapas que vejo nos jornais é assim que os espanhois estão a fazer em Mérida.
São os comboios de mercadorias e os de trânsito local que tornam imprescindivel e podem rentabilizar económicamente a nova linha.
O acrescento (de cerca de 12 km) do Poceirão ao Pinhal Novo (onde há uma estação da Fertagus) deve ser feito desde já para os novos comboios poderem começar a circular no Alentejo sem esperar pela travessia ferroviária do Tejo.
A linha do Poceirão a Caia deve ter as mesmas características da linha de Caia a Madrid porque tem as mesmas funções. É por isso para mim surpreendente que se fale na construção de uma linha de bitola ibérica de Caia a Évora. É também para mim surpreendente, que se fale numa linha directa de Sines a Évora. O Porto de Sines tem de ter uma conveniente ligação ferroviária ao Poceirão para comboios de mercadorias de bitola europeia. Quando esta ligação estiver pronta, as mercadorias seguirão de Sines para Espanha passando pelo Poceirão, e não são as mercadorias que vão para o Poceirão que têm de passar primeiro por Évora. Considero, assim, que há que repensar estas linhas.

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