Algo vai mal na saúde em Portugal

Quinta-feira, 3 Julho, 2014

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Um ponto prévio: é indesmentível que são precisas reformas de fundo na área da saúde em Portugal, no sentido, a título de exemplo, de se evitar que haja médicos a trabalhar à mesma hora em hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e em unidades privadas (como adiantou o “Público” no passado dia 25 de Junho). Para não falar de clínicos a receber em duplicado ou outros casos do género.
Ainda assim, este ponto prévio não impede que se coloque em causa algumas das medidas que têm vindo a ser seguidas na área durante esta legislatura, à sombra da necessidade de cortar nos elevados custos do sector e aumentar a eficiência dos serviços. Muitas vezes “foi pior a emenda que o soneto” e hoje é por demais evidente que algo vai mal na saúde em Portugal. E os exemplos vêm de todas as partes: os médicos protestam (e há greve na próxima semana, dias 8 e 9 de Julho), os enfermeiros reclamam, o pessoal auxiliar reivindica.
Contra tudo isto o ministério reage, umas vezes, com o silêncio dos comprometidos e, em outras ocasiões, com o useiro argumento de que é preciso poupar e rentabilizar. Mas na saúde a matemática não pode ser apenas feita com números e fórmulas estatísticas. Há pessoas envolvidas e, acima de tudo e de qualquer valor, estão vidas em jogo.
Veja-se o caso concreto do Baixo Alentejo, onde são mais que muitas as carências nesta área. O hospital distrital está em vias de perder especialidades e valências. Os centros de saúde acumulam carências ao nível das estruturas físicas e dos recursos humanos. E raros são os concelhos com o número de médicos adequado às reais necessidades das suas populações (como é, por exemplo, o caso de Almodôvar, onde segundo o autarca António Bota há cerca de 2000!!! pessoas sem médico de família – ler entrevista publicada nas páginas 12 e 13 deste jornal).
Tudo isto deve fazer-nos ponderar seriamente sobre o futuro que queremos para o país. Sejamos nós ministros, responsáveis pelas entidades da saúde, médicos, enfermeiros, autarcas ou “simples” utentes. Porque o caminho que está a ser seguido não garante uma reforma adequado do SNS, nem sequer serve as necessidades das populações. E com a saúde não se brinca!

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