Os vegetarianos vão salvar o mundo?

Terça-feira, 16 Novembro, 2021

Margarida Duarte Patriarca

Agora que já consegui a sua atenção, vamos a factos (aponta indicativamente) as emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia, em 2019, por poluente são essencialmente 4:

– dióxido de carbono 80%, metano 11%, óxido nitroso 6%, hidrofluorcarbonetos 2% e outros 1%.

Isto traduzido por miúdos quer dizer que o dióxido de carbono (também conhecido por CO2) é o gás com efeito de estufa mais emitido, sendo normalmente libertado por atividades humanas, como transportes rodoviários e indústria.

No entanto (e este pensamento é importante) outros gases, embora emitidos em menor quantidade, são piores para o efeito de estufa, pois conservam o calor de forma mais eficaz que o dióxido de carbono…..

Por exemplo, o metano é 80 vezes mais poluente do que o CO2 durante um período sensivelmente de 20 anos.

Os sectores na União Europeia que emitem os 4 gases atrás referidos são: a energia 77%, a agricultura 11%, a indústria 9% e a gestão de resíduos 3%. [fonte: Parlamento Europeu, Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas]

A estes números acrescenta-se uma informação importante: “exclui-se a utilização da terra, as alterações do uso da terra e a silvicultura.” O que na prática significa que, os 11% atribuídos ao sector da Agricultura, podem ser inferiores à realidade efetiva, pois estes 11% deixam de fora actividades relevantes para o que cientificamente está comprovado causar as alterações climáticas.

Mas não só, significa igualmente deixar a nú hábitos de consumo, culturas e tradições alimentares que mexem com a identidade dos povos, de países, de regiões…

Quando toca à nossa alimentação e às escolhas alimentares, o assunto muda logo de figura e quase todos nos tornamos defensores aguerridos do nosso modo de vida… quase como se fosse uma questão de honra entre os que se julgam mais “verdes”, mais “ambientalistas, mais “rurais”, menos “urbanos” ou mais “autênticos” e por isso quase tudo vale, para defender esse ponto de vista.

 

Estes assuntos têm sido discutidos há quase 30 anos entre países de todo o mundo. Todos concordam que alguma coisa tem de ser feita, mas os acordos não são respeitados, as metas não são atingidas e muito poucos colocam em cima da mesa a questão alimentar. Se por um lado é importante combater as alterações climáticas através da sua mitigação, também a sua adaptação cria respostas para povos mais resilientes no presente, que se preparem para o futuro.

 

Lembra-se dos números iniciais…?

Vamos focar-nos no metano.

O metano provém maioritariamente de atividades relacionadas com a agricultura, o crescimento populacional, o desenvolvimento económico e a migração urbana estimulam uma procura sem precedentes de proteína animal. E com a população global a aproximar-se dos 10 biliões, espera-se que a fome aumente em todo o mundo até 70% em 2050.

Se por um lado a indústria é o sector que mais emite gases com efeito de estufa e o dióxido de carbono permanece na atmosfera por centenas e centenas de anos, por outro lado é necessário apenas aproximadamente uma década para que o metano se decomponha, ou seja, as reduções das emissões de metano têm um impacto maior, e a curto prazo, nas metas a alcançar para a efetiva redução da temperatura global do planeta.

 

As alterações climáticas são um tema bastante sensível, com várias “camadas” de actuação, várias realidades sociais e sistemas económicos assentes em factores variáveis por si só. Exemplo disso é o acordo alcançado em Glasgow e a posição final da Índia e da China, que insistem em não definir uma meta para deixar de usar energia gerada a partir do carvão e deixar de subsidiar combustíveis fósseis.

O equilíbrio de realidades tão diferentes entre os hemisférios também ficou patente na Cimeira do Clima e mostrou que trabalhar a diplomacia entre a ciência e a política para o bem-estar populacional, o seu crescimento e riqueza é controverso e difícil.

 

Mas é precisamente aqui que cada um de nós pode e deve fazer a diferença. “Agir Local, Pensar Global” é a máxima que todos temos a obrigação de praticar. Somos nós quem manda no mercado económico que, por sua vez, responde aos sinais de consumo e às preocupações que emitimos diariamente.

Todos fazemos parte da solução e cada escolha que fazemos contribui para as emissões de gases com efeito de estufa. E a escolha vem com a coragem que isso significa ter, conseguindo ser inteligente e ver para além dos nossos hábitos, costumes ou tradições. A evolução (em qualquer área) não se faz com o pensamento “mas sempre se fez assim!”!!

Tenhamos a ambição de querer fazer diferente para melhor, mesmo que sejamos incomodativos. Serão assim os corajosos, os que não temem a evolução ou a mudança, que vão salvar o mundo!

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