Os deslizes do primeiro-ministro

Sexta-feira, 15 Maio, 2015

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Os últimos dias têm sido marcados por alguns “deslizes” por parte do primeiro-ministro. Primeiro foi a admissão, na sua biografia autorizado, que a demissão “irrevogável” de Paulo Portas lhe tinha sido comunicada por SMS (e isto pouco depois de PSD e CDS terem confirmado a coligação para as legislativas). De seguida vieram os elogios públicos (mais tarde reiterados) a Dias Loureiro, o ex-ministro de Cavaco Silva que carrega sobre si a nuvem da suspeição relativamente aos desvarios que afundaram o BPN. Mas antes de tudo isto, já Pedro Passos Coelho tinha sido infeliz durante o discurso que fez na cerimónia de inauguração da Ovibeja. Perante uma plateia cheia, o líder do Governo resolveu falar sobre o aeroporto de Beja. E fê-lo mal! Primeiro, ao afirmar que a infra-estrutura terá custado 50 milhões de euros (foram 33 milhões). Segundo, ao criticar o facto do projecto ter arrancado sem um plano estratégico claro.
É precisamente neste ponto que esteve o maior “pecado” do discurso de Passos Coelho. Porque em Setembro de 2012 um grupo de trabalho nomeado por este Governo, e liderado pelo social-democrata João Paulo Ramôa, apresentou ao secretário de Estado das Obras Públicas, Comunicações e Transportes um plano que defendia para o aeroporto de Beja uma “mudança de paradigma” no seu modelo de negócio, assumindo-se como aeroporto industrial. Ou seja, era proposta uma “estratégia objectiva” de curto e médio prazo, assente, sobretudo, no conceito de “aeroporto indústria”, tanto aeronáutica ou de manutenção, assim como formação, agro-indústria e actividades em geral que necessitassem de utilizar aquela infra-estrutura.
Ora quase três anos depois, impõe-se a questão: quais foram os efeitos práticos deste estudo? Até ver, simplesmente zero. É certo que pouco depois o Estado privatizou a ANA, mas tal não pode levar o Governo a demitir-se das suas obrigações em matéria de desenvolvimento do interior ou sequer sacudir a água do capote relativamente às responsabilidades que tem (ou deveria ter) na dinamização do projecto aeroporto de Beja. Infelizmente, é isso que tem acontecido…

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