Os desafios da agricultura

Quinta-feira, 13 Junho, 2019

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Longe vão os tempos em que os campos do Baixo Alentejo eram um “mar” amarelo. Em alguns pontos ainda surgiam umas “pinceladas” de verde, à custa das vinhas ou de outras culturas mais residuais, mas a paisagem era dominada por searas a perder de vista, que brilhavam ao sol do Verão antes de serem debulhadas. Esses eram os tempos de uma agricultura mais pobre, menos rentável e bastante exigente. Uma agricultura em que se trabalhava de sol a sol e que, muitas vezes, dava prejuízo.
Entretanto, o paradigma da lavoura na região alterou-se por completo: com a água do Alqueva veio o investimento e apareceram novas culturas, com os cereais a serem substituídos por culturas como o olival, o amendoal, frutas de caroço e algumas hortícolas cuja produção no Baixo Alentejo era, há uma década, impensável. Hoje há outro horizonte de esperança, mas também novos desafios para enfrentar.
Ao maior de todos, parece-nos, é reunir condições ao nível das produções para captar para a região mais unidades agro-industriais. Esse é um passo essencial, pois só com investimentos desta natureza será possível evitar que as mais-valias proporcionadas por uma agricultura mais rentável deixem o Baixo Alentejo em detrimento de outras regiões. E nesta tarefa é preciso que aos empresários se associem outros responsáveis, nacionais e regionais.
Depois há a questão da sustentabilidade… É vital que esta nova agricultura seja capaz de conciliar produtividade com protecção do meio-ambiente, sem que uma das partes coloque a outra em causa. Não deve haver radicalismos de parte a parte, sob pena de os campos ficarem desertos. É que sem agricultura também não haverá natureza. E nem vale a pena falar de população…

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