O mundo miserável

Quarta-feira, 19 Dezembro, 2012

António José Brito

director do correio alentejo

Durão Barroso! Esse mesmo, o José Manuel que um dia chegou a primeiro-ministro num saudoso Governo com Paulo Portas (quem haveria de ser!), brilhou na cerimónia que brindou a União Europeia com o Prémio Nobel da Paz de 2012.
Barroso é um político extraordinário e parece estar sempre no sítio certo. Para o bem e para o mal! É bom recordar, portanto, a célebre foto de uma cimeira de amigos nos Açores: Bush, Blair, Aznar e… outra vez Barroso (a um cantinho, é certo, mas em fulgor emergente ao lado dos patrões deste nosso mundo).
Esse ditoso encontro insular garantiu ao antigo militante do MRPP uma promoção inesperada. E o mundo, entretanto, encolhia os ombros perante a desfaçatez do eixo anglo-americano, que devastou o Iraque em três tempos, procurando as armas de destruição maciça que nunca conseguiu encontrar.
Felizmente para todos nós, Bush, Blair e Aznar desapareceram do mapa da política e ninguém tem saudades deles. Mas o ilustre português, que continua sentado na cadeira que a guerra lhe estendeu, lá esteve esta semana no palco da Fundação Nobel, recebendo o prémio que galardoa quem contribui para preservar a paz e a harmonia entre os Homens.
Sorriam! O Barroso que deu força à guerra é agora o Barroso que dá a cara pela paz – haverá alguma história tão curta que demonstre com maior eficácia a sociedade miserável que nos rodeia a todos?

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