O inimigo que vem do ar

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

André Cláudio

veterinário

Chegou a Primavera e vem aí o Verão. É nesta época que temos um clima mais propício aos passeios e brincadeiras ao ar livre com os nossos animais. No entanto, é imprescindível que tenhamos cuidados extra para protegê-los de algumas doenças causadas por parasitas, que ocorrem com frequência no Alentejo. Mais cuidados devemos ter quando muitas destas doenças são transmissíveis dos animais ao Homem, tornando-se assim um risco para a Saúde Pública.
Hoje falaremos em particular sobre uma delas: a Leishmaniose.
<b>A Leishmaniose é uma doença grave dos cães, que pode ser fatal, </b>causada por um parasita protozoário microscópico que se chama <i>Leishmania Infantum</i>. É transmitida pela picada de um mosquito (flebótomo), semelhante ao mosquito comum. Um destes mosquitos não infectado, ao picar um cão infectado, adquire a infecção, transmitindo-a posteriormente ao picar e alimentar-se num cão saudável.
Trata-se de uma doença muito disseminada em todos os países da bacia mediterrânica, incluindo Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Marrocos, e ainda muitos países da América Latina.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), estimam-se em 500.000 os novos casos de Leishmaniose Humana em todo o mundo, principalmente em crianças e adultos imunodeprimidos.
Os sintomas mais comuns são cutâneos: a perda de pêlo em redor dos olhos, focinho e orelhas, crescimento rápido das unhas, feridas que demoram a cicatrizar. Encontramos também quadros clínicos em que os únicos sintomas são o sangramento do nariz ou o emagrecimento e a perda de apetite, muitas vezes derivados de insuficiência renal e/ou hepática.
<b>É uma doença que não tem cura, embora possa ser tratada com sucesso, podendo a qualidade de vida do animal manter-se durante muito tempo e, até ao momento não existe vacina eficaz.</b>
Assim o que podemos fazer para prevenir?
Em primeiro lugar se suspeitar que o seu animal pode ter esta doença deve procurar o seu médico-veterinário, que procederá a exames de diagnóstico e iniciará, se necessário, o tratamento, segundo o seu critério.
Sabendo nós que na nossa região, a estação destes insectos vai de Março a Outubro e que a sua actividade predomina desde o anoitecer ao amanhecer, devemos evitar ter os nossos animais ao ar livre neste período e, se possível, colocar redes mosquiteiras nos seus alojamentos.
<b>Durante estes meses os animais devem ser protegidos da picada dos mosquitos por produtos de aplicação tópica (“spot-on”) ou coleiras com eficácia provada a repelir estes insectos.</b>
É pois muito importante o esclarecimento e informação de todos os proprietários de cães, para que possamos começar a controlar esta doença tão desconhecida como perigosa.

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