Na extrema II!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Ricardo Cardoso

técnico oficial de contas e dirigente do PS

Temos vindo a assistir nos últimos tempos a um crescente burburinho em torno de um tema que me desperta interesse, falo da regionalização.
Obviamente que sei, percebo e entendo, que esta concertação de interesses e opiniões, mais não é do que a vontade de alguns em meter a sociedade civil e os intervenientes políticos a falar do assunto.
Caio no embuste de forma consciente, ou melhor propositadamente! Mas faço-o exclusivamente a titulo pessoal, apesar de pertencer a várias organizações das tais ditas da sociedade civil e ter, o que eu chamo de, intervenção política activa.
Não me colarei à “equipa” dos mais prováveis vencedores, algo que me seria, como compreenderão, demasiado fácil por nunca ter intervindo publicamente sobre esta matéria. Poderia também argumentar aquelas coisas de, “a opção em tempos foi tomada num contexto que hoje já não se verifica”. Antes pretendo, hoje e agora, reforçar aquela que é desde sempre, e de forma convicta, a minha opção, uma região Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.

<b>Jamais terei medo de perder!</b>

Obviamente, e ainda assim, gostaria de ver realizado o meu propósito sobre esta matéria, mas para tal acontecer terá que ser o caminho que está a ser percorrido a ser invertido, porque aquilo que eu acho que é um direito legitimo dos Baixo Alentejanos e dos Alentejanos do Litoral é para levar por diante.
Quando se fala em “regionalizar” o Alentejo, colocam-se-me desde logo três perguntas:
<b>1.</b> Que sentido faz agrupar um terço de Portugal numa só região?
<b>2.</b> Fará sentido, como há quem defenda, a descentralização das sedes das diversas direcções regionais ou serviços equiparados, pelas três capitais de distrito?
<b>3. </b>Existem de facto as apregoadas identidade, tradição, costumes, gastronomia, arquitectura e paisagem comuns!
As respostas saem-me muito céleres:
<b>1. </b>Entendo que uma região Alentejo mais não é que uma deslocalização de algumas decisões de Lisboa para Évora, e não o grande mérito que é ter a regionalização. Uma dessas grandes virtudes passa por aproximar com objectividade a decisão da realidade local! Com uma imensidão de território para governar e a sede da Região em Évora, para os Baixo Alentejanos e, permitam-me, em particular para os odemirenses, nada é de sobremaneira alterado.
<b>2.</b> Pergunto, quem o faz sabe, por exemplo, qual a distância que separa Odemira de Portalegre? E quantas horas são necessárias para a percorrer? E quais os transportes públicos para lá chegar? É ainda importante ressalvar que estas perguntas não perdem qualquer pertinência se estivermos a falar de todos os serviços concentrados em Évora!
<b>3. </b>Sejamos francos, existe de facto algo que seja indissociável entre por exemplo Odemira e Nisa? Existe de facto algo que seja comum entre estes dois “Alentejos”? Onde existem essas inseparáveis e indivisíveis semelhanças? À, aquela coisa da complementaridade… tretas!
Julgo, isso sim, que o que faz sentido e o que de facto carecemos é conservar a nossa identidade, aproximar a decisão das nossas necessidades (e não das dos outros), e isso só será conseguido e alcançado, em minha opinião, com uma região contendo os 18 concelhos que compõe o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral.
Não quero deixar de referir, que estou ciente que a minha condição de limítrofe pode ajudar à configuração desta minha opinião. Mas não será nessa posição que todos nos devemos colocar para ter um cenário mais fiel do problema?
Tenho consciência que o caminho que tem sido seguido não aponta nesse sentido, mas quem defende algo suportado numa forte convicção, <b>jamais terá medo de perder! </b>(Se é que, se pode pensar que ter opinião divergente da política a adoptar é perder).

No artigo a que chamei “Na extrema!” e que foi publicado no “Correio Alentejo” de 21.03.2008, falei sobre aquela que é a maior necessidade e pretensão dos Odemirenses, uma acessibilidade que nos ligue a Sines e a Lagos, o IC4 e a respectiva ligação a Beja pelo IP 2.
Posteriormente, diria de forma surpreendente e ao mesmo tempo afortunada, ao participar num colóquio intitulado “O caminho-de-ferro, ontem e hoje”, nas recentes Festas de Maio em Amoreiras-Gare, através da intervenção do historiador dr. António Martins Quaresma, constatei que esta pretensão subsiste desde a ultima década do século dezanove, com aliás está devidamente documentado. Obviamente, nessa altura esse desejo tinha o formato de eixo ferroviário, o transporte célere da altura.
Este facto, fará muito provavelmente desta justa e inequívoca aspiração, a mais velha ambição não concretizada da nossa região.
Até quando?

<b>Nota: </b>quero deixar claro que nada me move contra a bonita cidade de Évora (ou qualquer outra), terra pela qual, por motivos familiares, tenho grande afinidade. Uma afinidade tal que me faz percorrer todos os 15 dias as estradas deste grande, e longo, Alentejo.

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