Habitação Própria

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Teresa Chaves

presidente da Cáritas de Teja

Estamos a assistir a uma situação extremamente complicada para as famílias portuguesas que tem a ver com o engodo da compra de habitação. Segundo informações recentes, a grande maioria dos portugueses possui habitação própria. Ou seja, estão prisioneiros de um empréstimo bancário a longo prazo referente à sua habitação. Com a diminuição dos rendimentos, quer seja por desemprego quer por redução do salário, quer por divórcio, uma grande percentagem não está com capacidade financeira para cumprir com as responsabilidades acordadas.
Por outro lado, o mercado está saturado, o parque imobiliário sofreu uma desvalorização, não se encontram compradores e as pessoas não têm como se livrar deste encargo. Se entregam a casa ao banco, perdem tudo aquilo que pagaram anteriormente e continuam a ser devedores. Também a capacidade de mobilidade geográfica está comprometida pois não conseguem vender a casa.
Este é um problema que tem de ser devidamente analisado pelos diversos intervenientes e co-responsáveis no processo: família, entidade bancária e governo.
Durante décadas, as famílias foram fortemente incentivadas, através de diversos meios a comprar habitação própria e a recorrer a um empréstimo bancário. Havia interesses económicos para expandir a industria da construção civil e interesses financeiros para as entidades bancárias. E, para as famílias também o incentivo de estarem a fazer um investimento com a natural satisfação de poderem ter casa própria.
Tudo seria excelente se as condições de vida e se o mercado financeiro não sofresse alterações. Infelizmente não foi isso que aconteceu.
Muitas são as famílias em situação de desespero, em risco de ficar desalojadas, com carências alimentares e sem saber o que fazer.
As famílias nesta situação não podem agora ficar sozinhas com este problema, há que chamar à cena todos os parceiros neste processo e entre todos, encontrar uma solução. Essa solução poderia eventualmente passar por um período de carência, em que a família pagasse uma renda mais baixa ao banco de acordo com os rendimentos disponíveis e posteriormente, quando e se a família estivesse novamente capacitada para pagar as prestações, poderia reverter para a amortização do empréstimo. Ou outra solução.
O importante é que encaremos este problema e não deixemos as famílias entregues ao seu desespero.

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