Estamos a assistir a um redesenhar da arquitectura financeira / económica a nível mundial. A crise financeira que estamos a viver é disso um sintoma. Pensar o futuro com base no passado e no presente não me parece muito adequado. Penso mesmo que seria importante darmos um salto criativo e tentar imaginar uma sociedade totalmente diferente da que conhecemos. Não é fácil, no entanto temos alguns pontos para olharmos como ponto de partida. O Estado Social como o conhecemos dificilmente poderá subsistir, dizem os economistas. Desde logo devido ao problema demográfico. Muito embora se olharmos para a legislação, diríamos que temos excesso de nascimentos. O emprego por conta de outrem também está e irá continuar a diminuir. O que fazer se realmente se vier a concretizar a existência de uma sociedade com desemprego por conta de outrem e com pouco apoio social? Nomeadamente nas grandes cidades? Parece-me que iremos ter de olhar para o local e regional com outra atenção. A nossa região tem muitas potencialidades que necessitam ser desenvolvidas. Desde logo o regadio através das infra-estruturas do Alqueva poderá dar novas possibilidades de auto-emprego. Importa valorizar o que temos e o que somos. Pequenas empresas familiares que se queiram dedicar a produzir e transformar produtos agrícolas – as agro-indústrias. Com o regadio, pequenas parcelas de terra já podem ser viáveis economicamente, se houver estruturas de apoio ao estudo de mercados e à comercialização. Para isso é necessário que a legislação referente ao parcelamento agrícola seja alterada. O problema eterno em Portugal é que a legislação demora a se actualizar às necessidades da sociedade. Em todas as áreas de actuação, seja económica seja na área social. É necessário agir com a rapidez e flexibilidade necessárias para atenuar os efeitos negativos. Sabemos que não há dinheiro, que as carências sociais estão e continuarão a aumentar, até podemos ter algumas soluções para os problemas, mas não temos flexibilidade de legislação para avançarmos ao ritmo que seria necessário. Urge pois que todos nos compenetremos que é necessário uma mentalidade nova, de maior flexibilidade, de maior adaptação às realidades, importa é que cada um contribua para ajudar a criar condições para uma convivência pacífica em que todos e cada um tenham o suficiente para ter uma vida digna. Deixemos de ter como base de raciocínio um Portugal rico com as respectivas exigências. Aprendamos a conviver num Portugal com menos dinheiro, mas com potencialidades para ser um país onde se poderá viver, se todos colaborarem, em harmonia. É possível, se todos se empenharem nesse objectivo.

Tradicional romaria da Senhora da Cola em Ourique
Centenas de devotos são esperados na tradicional romaria de Nossa Senhora da Cola, que se realiza nesta segunda e terça-feira, dias 7 e 8 de







