Evitar o “dia zero”

Quinta-feira, 22 Fevereiro, 2018

Carlos Pinto

director do correio alentejo

A (negra) data está marcada: 16 de Abril de 2018. É esse dia que muitos especialistas apontam como o “Dia Zero” para a Cidade do Cabo, uma das maiores da África do Sul. E o “Dia Zero” não é mais que aquele dia em que as barragens chegam ao nível mínimo de água e deixa de haver quantidade suficiente para o abastecimento da população. “O dia em que as torneiras vão secar”, como relatou ao “Expresso” o hidrogeólogo português Rui Hugman. Mas não se pense que este quadro dramático se fica pela costa sul do continente africano. Segundo os especialistas, apenas três por cento de toda a água existente no Mundo está em condições para consumo humano. A poluição, por um lado, e as alterações climáticas, por outro lado, têm potenciado esta realidade e o “Dia Zero” pode também estar mais próximo do que se julga em metrópoles como Londres, Moscovo, Tóquio, Pequim, Miami ou São Paulo.
Longe, no Baixo Alentejo, também há muito que se assiste com preocupação à situação de seca que assola a região. É certo que a eventual chegada do “Dia Zero” está a anos-luz de suceder, mas os efeitos da falta de chuva são cada vez mais sentidos, sobretudo na agricultura. Por isso mesmo, o acordo de parceria formalizado no passado sábado, 17 de Fevereiro, entre a EDIA e o Grupo Águas de Portugal reveste-se da maior importância para o distrito, sendo uma das melhores notícias que os baixo-alentejanos receberam nos últimos meses.
Com este protocolo estão criadas as condições para a água do Alqueva chegar ao sul do Baixo Alentejo e ao Alentejo Litoral. Quando estas obras estiverem concluídas, lá para 2021, o “Dia Zero” ficará ainda mais longe da região, pois teremos água em quantidade e qualidade para abastecer as populações e servir a economia. E não deixa de ser curioso que tudo isto seja possível por via de uma infra-estrutura que muitos “inteligentes” da nossa praça sempre apelidaram de “elefante-branco” ou “monstro sorvedouro de dinheiros comunitários”. Felizmente houve quem não lhes desse ouvidos…

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