Escravatura inadmissível

Quinta-feira, 19 Janeiro, 2017

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Eram cerca de 80 pessoas a dormir no mesmo espaço, com apenas uma casa de banho e sem privacidade. As camas não eram mais que pequenos colchões por cima de paletes e, em frente, estavam os fogões para cozinharem as suas parcas refeições. No fundo, uma miséria! Mas esta não é a descrição de um qualquer campo de refugiados às portas da Europa, onde as necessidades são mais que muitas, ou de uma aldeia afundada na pobreza da África Central – é “somente” o retrato encontrado pela autoridades que detectaram recentemente a realidade em que oito dezenas de imigrantes viviam no dia-a-dia em Pedrógão do Alentejo (Vidigueira), depois de regressarem do trabalho em explorações agrícolas de Moura e Ferreira do Alentejo.
Surpresa? Só para quem anda muito distraído e não vai acompanhando aquela que é uma das “faces negras” da nova agricultura alentejana. E tanto acontece na Vidigueira como na Margem Esquerda do Guadiana ou no Litoral Alentejano, onde há muito que o recurso a mão-de-obra imigrante para trabalhar na lavoura se tornou frequente. Mas se por aí mal nenhum vem ao mundo, é perfeitamente inadmissível continuar a fechar os olhos quando estas situações de verdadeira “escravatura” se consumam em pleno século XXI.
Daí que se exija, por um lado, uma actuação cada vez mais enérgica por parte das autoridades competentes. E, por outro lado, é de aplaudir o empenho de autarquias como Odemira e Vidigueira na resolução deste tipo de problemas. Porque só com verdadeiros planos de integração de imigrantes, onde entidades com responsabilidades no sector e empresas agrícolas puxem para o mesmo lado, respeitando a lei e a dignidade humana, será possível colocar termo a este enorme flagelo social.

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