Sempre que surge um foco de instabilidade internacional – seja um conflito armado, perturbações nos mercados energéticos ou devaneios bélicos dum qualquer (ir)responsável político – há uma consequência “inevitável” para todos nós: o aumento praticamente imediato dos preços dos combustíveis.
Foi o que nos aconteceu esta semana, em que o preço da gasolina e gasóleo aumentaram como nunca visto, com o argumento de que era o mercado a reagir à incerteza e à subida do valor do barril de petróleo.
O problema é que esta “rapidez” com que se aumentam os preços raramente funciona em sentido contrário. Porque quando a situação internacional tende a estabilizar e o preço do petróleo diminui, os consumidores não veem a mesma “velocidade” na descida dos preços. Pelo contrário: as reduções são lentas, graduais e muitas vezes pouco significativas.
Mas este fenómeno não se limita aos combustíveis. Em momentos de crise global, o argumento do aumento dos custos surge rapidamente para justificar subidas em diversos bens e serviços, da alimentação aos transportes, da energia às matérias-primas.
Para as famílias, esta dinâmica tem um impacto direto no poder de compra e acaba por resultar numa erosão constante do rendimento disponível, que pesa sobretudo sobre quem tem salários mais baixos ou rendimentos fixos.
Ora perante esta realidade, torna-se legítimo questionar se os mecanismos de regulação e fiscalização do mercado estão a funcionar de forma eficaz. Porque num mercado saudável, as regras devem funcionar nos dois sentidos. Caso contrário, instala-se a perceção de que as crises são justificações convenientes para aumentos por tempo indeterminado.

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