Há séculos que o Baixo Alentejo é uma terra de minas e mineiros. É-o desde o tempo dos romanos na zona de Vipasca (hoje Aljustrel), numa tradição que tem passado de povo para povo ao longo de gerações e que hoje conhece um grande incremento (e valorização económica) através das minas de Neves-Corvo – a maior mina de cobre da Europa – e de Aljustrel.
Quase tão antiga na região como a lavoura, a actividade mineira tem produzido muita riqueza mas tem também deixado profundas marcas à superfície, sobretudo após o fecho das minas. Os exemplos são mais que muitos: do Lousal à Mina de São Domingos, passando por Aljustrel, pelo Canal Caveira ou pelos inúmeros poços esquecidos por esses campos fora e que o tempo tratou de fechar.
Alguns destes casos tiveram repercussões pesadíssimas na economia local mas também no ambiente, sendo em determinados momentos verdadeiros atentados para a saúde pública que se prolongaram tempo demais.
É por isso em boa hora que surgem as notícias sobre os projectos de reabilitação ambiental e requalificação patrimonial dos parques mineiros de Aljustrel e da Mina de São Domingos [ver notícias nas páginas 7 e 9 deste “CA”]. Não apenas para colocar termo a problemas que se arrastam há dermasiados anos, mas, sobretudo, para valorizar a herança mineira da região.
Porque se em (quase) todos estes casos o subsolo já deu o que tinha para dar, há ainda um grande potencial por explorar nestes locais. Seja através da criação de rotas associadas ao tema ou de outros atractivos turísticos, seja com a dinamização de projectos de investigação e desenvolvimento tecnológico capazes de atrair para a região mais visitantes e recursos humanos altamente qualificados.

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