Abril de novo com a força do Povo!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Madeira

dirigente do PCP

O povo português entra em Abril confrontado com a maior ofensiva contra as conquistas da revolução de que há memória. Pode parecer um chavão, mas é a verdade dos factos. Nas últimas três décadas, sucessivos governos PS, PSD, CDS têm-se encarregado, em conjunto ou em separado, à vez, de ir destruindo muitos dos direitos que começaram a ser conquistados há 38 anos. Esta ofensiva, consubstanciada no pacto de agressão contra o nosso país que PS, PSD e CDS subscreveram e apoiam, tem o alto patrocínio do senhor Presidente da República, que apesar de ter jurado cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa (que completou 36 anos a 2 de Abril) todos os dias a atropela e dela não faz caso.
Comemorar o 25 de Abril é lutar pelo futuro dos trabalhadores e do povo português. É assinalar os 50 anos da conquista das oito horas de trabalho nos campos agrícolas do Sul (a partir das greves de 1962) e defender o trabalho com direitos, a valorização dos salários e das pensões em oposição ao acordo Governo/ Patrões/ UGT, apoiado por PSD, CDS e PS na Assembleia da República, que vai trazer mais desemprego, mais exploração, mais miséria. É defender o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e os serviços públicos, com a garantia de apoios sociais à população. É defender a produção nacional, o apoio às PME´s e o combate às importações. É pôr fim às privatizações e recuperar o controlo público dos sectores estratégicos da nossa economia. É defender o Poder Local Democrático. É lutar contra a impunidade e os milhões que continuam encher os bolsos dos grandes grupos económicos e financeiros, taxando os lucros, o património de luxo e a especulação financeira. É exigir a renegociação da dívida nos prazos, montantes e juros. É afirmar a nossa soberania, rompendo com as imposições da União Europeia, do FMI e do grande capital.
Mas comemorar o 25 de Abril é também condenar e repudiar as tentativas de revisão da história e de branqueamento da ditadura fascista, como a recente decisão do executivo PS na Câmara Municipal de Beja de atribuir nomes de ruas aos presidentes de Câmara do regime fascista. Esta decisão do PS, à qual os eleitos da CDU se opuseram, traduz-se, na prática, numa homenagem a indivíduos que contribuíram para sustentar uma ditadura que condenou o país a um profundo atraso, sendo cúmplices na promoção de políticas de perseguição, tortura e mesmo morte a quem a ele se opunha. Esta atitude, ultrajante e ofensiva para com o povo de Beja, a sua resistência e luta pela liberdade, aliada ao cancelamento das comemorações populares do 25 de Abril por parte da Câmara Municipal no ano passado (e em boa hora resgatadas este ano pela Assembleia Municipal, por iniciativa da CDU), fica cinicamente bem a quem afirmou, após as últimas eleições autárquicas, que tinha chegado o 25 de Abril a Beja. Aliás, vê-se.
Tal como Março, também Abril é um mês de luta, designadamente com a Marcha Nacional em Defesa do Serviço Nacional de Saúde, convocada pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, a realizar no dia 14 em todas as capitais de distrito, e naturalmente também em Beja. E Maio, e Junho, e Julho … serão também meses de luta. Luta contra o pacto de agressão, para salvar o nosso país do desastre, com confiança numa alternativa que existe, por uma política patriótica e de esquerda, afirmando os valores de Abril no futuro de Portugal.

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