A verdade

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Luís Dargent

dirigente do CDS

“Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário!”
Esta frase foi dita por um intelectual de esquerda, George Orwell, que desiludido com as patifarias que os camaradas de armas lhe fizeram durante a guerra civil espanhola, passou o resto da sua vida a desancá-los com algum estilo. E a que propósito é este senhor para aqui chamado? Em primeiro lugar porque sim. E em segundo lugar porque após uma releitura da sua biografia descobri a impressionante actualidade de muitas citações, que considero muito pertinentes nos tempos que correm.
Não sou o detentor da verdade ou mais verdadeiro do que qualquer outro, acho apenas que para enfrentar os desafios a que vamos ser submetidos, tudo será facilitado, se todos falarmos verdade. Não creio que devamos dizer todos o mesmo, nem pensar nisso! E acredito que duas pessoas, na posse da mesma informação podem, honestamente, ter duas percepções diferentes da realidade. Tenho a certeza que não diz mais verdades, quem fala mais alto, nem mesmo quando invoco o entusiasmo pela infalibilidade das minhas opiniões. Não acredito que nenhuma boa causa possa ser servida por uma mentira e muito menos por uma questão de imagem, satisfação dos mercados ou qualquer outra forma de proveito próprio.
Estas diatribes re-
cordam-me uma história que pode ser uma bonita metáfora sobre a verdade. Num país que já não existe, numa cidade que já não existe a população era sujeita a uma dieta rigorosa devido a um inverno que o era ainda mais. Havia várias semanas que escasseavam a maioria dos alimentos, por isso formou-se uma longa fila de enregelados cidadãos, quando foi anunciado que iria ser distribuída carne fresca, proveniente das melhores quintas estatais do tal país que já não existe. O vento gélido não era suficientemente desmobilizador da multidão que aguentava tenazmente na expectativa do consolo de um ensopado. Após muitas horas de espera, chegaram uns senhores do partido (que já quase não existe) e disseram: “Os judeus vão para casa, o vosso Deus que vos alimente…”. Debaixo de ténues protestos e algumas lamúrias, lá se retiraram e o ânimo dos restantes redobrou. Com o cair da tarde e das temperaturas chegaram novamente os tais senhores que disseram: “Os que não pertencem ao partido vão para casa, não têm o direito a gozar das comodidades da nossa sociedade!”. Já noite cerrada e um frio impossível de combater, chegam os senhores, do costume e dizem: “Camaradas pedimos muita desculpa, mas não há carne para ninguém, mas não podíamos deixar que aqueles reaccionários, inimigos do povo o soubessem, pois iriam denegrir o nosso infalível governo!”. É então que no meio dos últimos resistentes alguém grita, num misto de revolta e desespero: “Pois os judeus são sempre beneficiados…”
Desejo a todos que o ano de 2012 seja como uma boa consulta de dentista, rápido e indolor!

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