A demissão do Estado

Quinta-feira, 28 Junho, 2018

Carlos Pinto

director do correio alentejo

A Caixa Geral de Depósitos, banco público, prepara-se para encerrar na vila de Colos, no concelho de Odemira. Parece coisa pouca… mas não é! Porque encerrar um balcão numa pequena localidade do interior não é propriamente o mesmo que fechar as portas de uma agência em Loures ou em Gaia. É que um banco numa vila como Colos até pode não movimentar milhões de euros nem vender centenas de aplicações e outros produtos financeiros, mas representa dinâmica económica e postos de trabalho. Isto sem esquecer o papel social que tem perante uma franja de população mais envelhecida e sem meios para se deslocar 30 ou 40 quilómetros “apenas” para levantar a parca reforma, uma vez que na sua terra não há multibanco e a estação dos CTT também já partiu para outras paragens.
Este ciclo de encerramento de serviços públicos essenciais em pequenas localidades já vem de longe, tendo sido acentuado nos tempos da “troika”. Chamaram-lhe “reestruturação” ou “adequação do serviço às necessidades do mercado”. Mas acima de tudo, ele representa, em muitos dos casos, uma demissão das funções que o Estado deve ter face aos territórios mais afastados dos grandes centros urbanos.
Temos a noção que não pode haver repartições disto e daquilo em todas as localidades e de esquina em esquina. Que não é racional exigir mundos e fundos para todas as aldeias e vilas. E também que todos estes serviços entretanto encerrados têm, salvo raras excepções, uma alternativa digital, com muitas das suas valências ao alcance de um simples computador. Mas há que ter em conta que nestas terras do interior encontramos, maioritariamente, pessoas idosas e sem hábitos (ou conhecimentos) de navegação electrónica. É em todos estes que o Estado deve pensar e não decidir apenas em função de estatísticas. Só assim teremos um país mais equilibrado e justo.

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