Investir num futuro melhor

Carlos Pinto

Director do Jornal Correio do Alentejo

Há investimentos que não devem ser avaliados apenas pelo seu custo, mas sobretudo pelo impacto que podem ter no futuro de uma comunidade. É o caso do novo Centro Escolar de Mértola, um investimento superior a 2,5 milhões de euros promovido pela Câmara Municipal.
Num concelho marcado pelos desafios da baixa densidade populacional, pelo envelhecimento demográfico e pela saída de muitos jovens, apostar na educação é muito mais do que construir ou renovar um equipamento. É afirmar que em Mértola se acredita no futuro e, sobretudo, nas suas crianças.
Obviamente que nenhum centro escolar, por si só, resolve o problema do despovoamento. Para tal são necessários empregos, habitação acessível, cuidados de saúde, transportes, cultura, desporto e oportunidades para os jovens… Mas também é verdade que não conseguiremos manter pessoas no interior se não garantirmos serviços públicos de qualidade. E a educação tem de estar no centro dessa equação.
Mais do que discursos sobre a coesão territorial, precisamos de decisões concretas que demonstrem que vale a pena viver, trabalhar e criar uma família no interior. Uma escola moderna e qualificada é uma dessas decisões. Por isso, o investimento da Câmara de Mértola merece ser valorizado para além dos 2,5 milhões de euros que representa. O seu verdadeiro valor está na mensagem que transmite, ou seja, que as crianças do interior merecem as mesmas oportunidades que qualquer outra criança e os territórios de baixa densidade não podem ser condenados a desistir do seu futuro.
Porque o futuro de Portugal não pode ser construído apenas nas grandes cidades. E esse futuro começa, muitas vezes, dentro de uma sala de aula.

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