Bispo de Beja pede moderaração ao novo Governo da coligação PSD/CDS

Bispo de Beja pede moderaração ao novo Governo da coligação PSD/CDS

Recomendando “moderação” ao governo, o bispo de Beja reconhece que os alentejanos se viram cada vez mais para os partidos que exercem o poder, uma mudança em relação à “fidelidade” que o PCP granjeou durante décadas.
Em entrevista à agência Lusa, D. António Vitalino estimou que os alentejanos foram “fiéis” ao PCP durante muitos anos porque sentiram que “era o que lhes dava possibilidade de mudança, lhes dava voz”.
Embora tenha mantido o deputado eleito por Beja, o PCP perdeu nas últimas eleições mais de 4000 votos no distrito, enquanto o PSD “roubou” um deputado ao PS.
“As gerações vão mudando e as pessoas vão vendo que o PCP, não estando no governo, também não tem hipótese de poder responder a muitas questões de ordem laboral e social”, disse.
“É compreensível que haja aqui alguma mudança”, indicou, ressalvando que, em termos autárquicos, as câmaras da CDU têm conseguido “bastante desenvolvimento e criado boas perspectivas de sociabilidade e trabalho”.
O prelado recomenda “moderação” aos futuros governantes e pede-lhes que não escondam quais as “reais possibilidades” do país, afirmando que tem havido algum “desgoverno”.
“Quisemos ter todos os benefícios do Primeiro Mundo, mas sem possibilidades económicas para isso. O que outros países conseguiram em centenas de anos de evolução contínua, nós quisemos fazer em 30 ou 40 anos”, reflectiu.
A Igreja Católica será uma voz de “força, estabilidade e alegria”, garantiu.
“Não podemos ver alguns a sofrer demasiado com esta crise e outros a gozarem-se de todos os recursos”, argumentou.
Num Baixo Alentejo a envelhecer, com poucos nascimentos e cada vez mais recurso às instituições de apoio social, António Vitalino afirma que a Caritas da diocese de Beja tem cada vez mais trabalho.
O “cano de escape” dos alentejanos vai sendo a emigração, refere, estimando que é a ida para o estrangeiro que impede situações sociais mais alarmantes.
“Felizmente na Europa nem tudo é recessão, ainda há países em crescimento económico”, indicou.
Mas, para D. António, é preciso que o crescimento em Portugal seja, acima de tudo, “consistente”, com algum “sacrifício” e com a “moderação” que impeça que se repita o erro do “desejo consumista de ter tudo e ser iguais aos outros países”.
“Isso foi o nosso mal”, sentenciou, defendendo que não se pode “asfixiar a família, a sociedade civil” ou continuar a “não apoiar quem tem capacidades”.
Sem isso, “os grupos de interesses e os ‘mafiosos’ irão continuar a dominar a sociedade e continuará a corrupção e o ‘salve-se quem puder’”, declarou.
Quanto às perspectivas do distrito que representa, António Vitalino considera que poderão assentar nas possibilidades da agricultura de regadio possibilitada pelo Alqueva – que “infelizmente” ainda não está plenamente aproveitado – e nas indústrias de transformação quer de produtos agrícolas quer do minério que ainda é explorado.
O Baixo Alentejo “é muito grande, mas tem pouca população, só elege três deputados”, mas o bispo de Beja vê com alguma esperança a atenção que lhe dedicaram os políticos durante a última campanha eleitoral.
“Todos os candidatos a primeiro-ministro passaram por cá e mostraram interesse. Pena que haja tão poucos eleitores”, lamentou.

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Correio Alentejo

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