Beja vai homenagear "rei-poeta" Al-Mutamid

Beja vai homenagear

O rei-poeta Al-Mutamid, nascido em Beja no século XI e considerado um dos grandes poetas árabes, vai ser homenageado este domingo, 16, na cidade baixo-alentejana.
O conjunto de iniciativas é promovido pela Câmara de Beja e reflecte a aposta da autarquia "na veia artística do concelho", além de pretender "homenagear Al-Mutamid, que foi uma grande poeta árabe e o único rei nascido em Beja", diz à Agência Lusa a vereadora da autarquia Sónia Calvário.
Segundo a autarca, a homenagem vai também assinalar o fim do projecto do Município de conclusão, requalificação e enquadramento paisagístico do memorial a Al-Mutamid, situado no Parque da Cidade e cuja construção começou em 2003, foi interrompida em 2004 e só agora ficou concluída.
A homenagem vai começar às 15h00 com um passeio dedicado à "Gente culta da Beja islâmica", entre o Museu Regional de Beja e o memorial a Al-Mutamid, onde, a partir das 17h00, vai decorrer uma cerimónia para homenagear o poeta.
A partir das 21h30, o Teatro Municipal Pax Julia será palco de um espectáculo musical original dedicado à vida e à obra de Al-Mutamid, entre Beja, onde nasceu, Silves, onde se afirmou como "o grande expoente da poesia da sua época", Sevilha, onde foi rei da Taifa Abádida do Al-Andalus (nome dado à Península Ibérica pelos conquistadores islâmicos do século VIII), e Aghmat, nos arredores de Marraquexe, onde morreu no cativeiro.
O espectáculo "Al-Mutamid, Rei-poeta do Al-Andalus" reúne vários músicos de Portugal, Espanha e Marrocos, como Janita Salomé, Eduardo Paniagua, Cezar Carazo, El Arabí Serghini, Jamal Ben Allal e Quiné Teles.
Considerado por muitos um dos grandes poetas de língua árabe de todos os tempos, Al-Mutamid é o poeta "mais notável da segunda metade do século XI peninsular", refere o investigador Adalberto Alves no prefácio do livro "Al-Mutamid: Poeta do Destino", lançado em 1996.
O protagonismo político, a intervenção cultural e o percurso pessoal de Al-Mutamid recheado de feitos heróicos e até mitificados na época tornaram-no numa personagem "incontornável do século XI do Al-Andalus", sublinha Adalberto Alves.
Celebrizado pela sua obra poética, Al-Mutamid, filho de Abbad Al-Mutadid, rei da taifa de Sevilha, nasceu em 1040, em Beja, onde viveu até aos 13 anos, quando partiu para governar Silves.
Após a morte do seu pai, em 1063, Al-Mutamid tornou-se rei da taifa de Sevilha e o seu reinado estendia-se, além do Algarve e de grande parte do Alentejo, a cidades como Ronda, Huelva, Carmona, Algeciras, Jaén, Córdova, Sevilha e Múrcia.
Al-Mutamid, último soberano da dinastia Abádida e do reino Taifa de Sevilha, foi derrotado em 1091, pelos almorávidas, berberes do Norte de Marrocos que aproveitaram a fraqueza dos reinos Taifas para os dominar, e enviado para o exílio, em Aghmat, onde acabou por morrer em 1095 no cativeiro.
Segundo Adalberto Alves, a fama lendária que Al-Mutamid granjeou durante a vida "derramou-se até aos mais longínquos confins do mundo árabe".

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Correio Alentejo

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