Beja: Alegado homicida de segurança das obras do aeroporto diz estar a ser “incriminado” por crimes que não cometeu

Beja: Alegado homicida de segurança das obras do aeroporto diz estar a ser “incriminado” por crimes que não cometeu

O homem suspeito de ter matado um segurança do estaleiro das obras do aeroporto de Beja, em 2008, declarou-se ontem inocente em tribunal, referindo que está a ser “incriminado” por crimes que não cometeu.
“Estou a ser incriminado por coisas que não fiz”, disse António S., de 36 anos, ao colectivo de juízes do Tribunal de Beja, que hoje começou a julgar o arguido por um crime de homicídio qualificado, um crime de furto qualificado, um de furto e dois de detenção de arma proibida.
Na primeira sessão do julgamento, o arguido alegou que tinha deixado de trabalhar como pedreiro no estaleiro do aeroporto de Beja a 20 de Junho de 2008 e no dia do crime, a 25 de Junho, não esteve no local, já que estava em Castelo Branco, onde nesse dia tinha ido a uma entrevista de trabalho.
Segundo a acusação, o crime ocorreu na madrugada de 25 de Junho de 2008, quando o arguido, que então morava em Ervidel, no concelho de Aljustrel, saiu de casa com umas luvas pretas de borracha, um lenço de tecido e um pé-de-cabra e dirigiu-se para o estaleiro do aeroporto de Beja, “com intenção” de roubar objectos e dinheiro do contentor que servia de refeitório dos trabalhadores.
No estaleiro, o arguido entrou no contentor e com o pé-de-cabra destruiu a porta da máquina de “snacks”, da qual retirou produtos alimentares e cerca de 170 euros, e a parte frontal da máquina de bebidas quentes, da qual retirou cerca de 35 euros.
Alertada pelo barulho que o arguido fazia, a vítima, que estava a trabalhar como vigilante no estaleiro, dirigiu-se ao contentor, levando uma espingarda de caça, que os vigilantes “costumavam ter” no local “para seu uso e segurança”, porque já tinham ocorrido alguns crimes de roubo de combustível no estaleiro.
Ao chegar ao contentor, a vítima foi surpreendia pelo arguido, que começou “de imediato” a desferir-lhe várias pancadas com o pé-de-cabra.
A vítima tentou defender-se, desferindo com a espingarda de caça uma pancada na cabeça do arguido, que, apesar disso, continuou a desferir com o pé-de-cabra várias pancadas na vítima, “o que fez incessantemente” até o segurança “cair e ficar prostrado e inanimado no chão”.
Após se “certificar” que a vítima estava prostrada e inanimada no chão e “sem sinais vitais aparentes”, o arguido abandonou o contentor, levando a espingarda de caça e os produtos alimentares e o dinheiro que tinha roubado.
O arguido foi detido a 06 de outubro de 2010 e tinha consigo a espingarda de caça e uma pistola, apesar de não ser titular de licença de uso e porte de arma.
Segundo a acusação, o arguido entrou no estaleiro com o objectivo de roubar objectos e dinheiro e ao desferir as pancadas na vítima como o fez agiu com o “propósito concretizado” de a matar.
Questionado por um juiz do colectivo sobre o facto de ter a espingarda de caça que a vítima tinha no dia do crime, o arguido disse que a comprou em 2009 “a um senhor” no Fundão, cuja identidade disse desconhecer.
Em reacção, o juiz comparou a “coincidência” de o arguido ter comprado a espingarda, que tinha sido roubada à vítima no dia do crime no estaleiro onde aquele havia trabalhado, ao facto de se ganhar o euromilhões.

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Correio Alentejo

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