António Costa: “É preciso que distrito de Beja diga presente”

António Costa: “É preciso que

António Costa confia que em Beja, como no resto do país, os portugueses voltem a confiar no PS e a dar-lhe a força necessária para fazer o que é preciso em Portugal.

Por que razão devem os socialistas elegê-lo para liderar o partido?
O PS tem de ambicionar ter uma grande vitória nas legislativas em 2015 e não pode satisfazer-se com vitórias pequeninas. Porque sem uma vitória robusta do PS não estarão criadas condições de governabilidade em Portugal e isso seria dramático. O PS não pode contentar-se em ser parte da solução, o PS tem de ser “a solução”! Isso significa que é preciso dar força ao PS, conseguirmos dar aos portugueses o suplemento de confiança que eles esperam de nós. Porque os portugueses estão à espera desse sinal do PS, estão à espera de poder confiar no PS para que esta maioria contra este Governo que está formada na sociedade portuguesa se transforme numa maioria a favor de Portugal, numa maioria de Governo.

Teme que este processo eleitoral deixe marcas internas no PS?
Espero que não e por isso mesmo não têm ouvido de mim qualquer ataque de natureza pessoal ao meu oponente. Manterei essa linha porque é importante que no dia 29 de Setembro estejamos todos unidos. Tenho afirmado em todos os momentos que o nosso adversário não está dentro do PS, está lá fora e é a política do actual Governo que nós temos de combater. Pelo que se tem passado neste processo eleitoral tem ficado claro que só eu estou em condições de unir o partido.

Que atenção pretende dar aos problemas sentidos pelos territórios do interior e de baixa densidade?
Como sabem, este é um dos temas que eu tenho abordado mais recorrentemente e que faz parte da construção do que eu tenho chamado uma nova “Agenda para a Década”, sob o tema “Valorização das Pessoas e do Território”. Em primeiro lugar, julgo que são esses próprios territórios que têm de identificar a sua vocação estratégica, aquilo que podem fazer melhor que ninguém, seja no domínio da agricultura, seja na produção industrial, seja nas energias renováveis, seja nas novas tecnologias, seja no turismo, seja numa base de pequenos nichos de qualidade, seja numa base mais massiva. Para isso é fundamental dar poder às regiões, democratizando as CCDR. Depois, é preciso de uma vez por todas de deixar de ver aquilo que designamos de “interior” como uma espécie de “traseiras” do litoral, isso é uma visão que deixou de todo de fazer sentido. Devemos, ao contrário, ver esses territórios como bases avançadas para a conquista do mercado ibérico, que representará só por si uma mudança de escala de um mercado de 10 milhões de pessoas para um mercado de 60 milhões de pessoas, e de todo o mercado europeu. Temos de passar a ter uma prática de ambição. Temos de por os olhos em exemplos como o Alqueva, a Embraer em Évora, a Delta em Campo Maior ou a Danone em Castelo Branco. São quatro bons exemplos do que é possível fazer.

Que estratégia de desenvolvimento defende para o Baixo Alentejo?
Exatamente aquilo que lhe acabei de dizer! Mas também lhe quero dizer que a pergunta não deve ser que estratégia de desenvolvimento é que eu defendo para o Baixo Alentejo. A pergunta deve ser qual é estratégia de desenvolvimento que o Baixo Alentejo, através dos seus órgãos próprios, defende. A mim caber-me-á defender, e ajudar a desenvolver em todas as suas variantes, a estratégia de desenvolvimento que o Alentejo escolher

Defende que o processo de regionalização avance? Porquê?
Olhe, de facto, as coisas estão todas ligadas e a resposta a esta pergunta encadeia com a anterior e com aquilo que eu lhe disse sobre os “órgãos próprios” da região. Julgo que na organização administrativa do país faz todo o sentido uma instância supramunicipal e infra-estatal. Desde o referendo de 1998 que estamos enredados numa teia jurídica em torno da regionalização, mas julgo que é preciso ir dando alguns passos. Que podem passar, por exemplo, pela democratização das já existentes comissões coordenadoras de desenvolvimento regional, passando estas a ser eleitas, seja através das câmaras municipais, seja através das assembleias municipais, seja como for. Isto significa democratizar e descentralizar e sem custos acrescidos, porque as CCDR já existem, mas sem a natureza democrática que podiam e deviam ter, assumindo-se como a tal instância regional que entendo ser útil ao país e às suas regiões.

As eleições legislativas serão em 2015 – confia que, no caso do distrito de Beja, o PS pode voltar a eleger dois deputados?
Confio que em Beja, como no resto do país, os portugueses possam voltar a confiar no PS e a dar-lhe a força que é necessária para tudo aquilo que é preciso fazer em Portugal, que é muito. Como já disse, confio que em Beja, como no resto do país, as pessoas percebam que só o PS está em condições de transformar esta grande maioria do contra, que já existe, numa maioria a favor de Portugal e dos portugueses. É nisso que acredito. Eu quero Mobilizar Portugal e para isso é preciso que Beja, como todos os outros distritos, diga presente!

A ENTREVISTA DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

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Correio Alentejo

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