Alentejo: Recursos silvestres são uma “boa alternativa” em tempos de crise

Alentejo: Recursos silvestres são uma “boa alternativa” em tempos de crise

Recursos silvestres, como o mel, cogumelos e plantas aromáticas e medicinais, podem ser uma “boa alternativa” em tempos de crise e um complemento do rendimento de explorações agro-florestais no Baixo Alentejo, admitiram hoje especialistas.
Na actual conjuntura de crise, os produtos silvestres ou florestais não lenhosos “são uma boa alternativa e podem inverter a situação económica das explorações agro-florestais, que estão muito dependentes de subsídios”, disse Cristina Caro, da Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM).
“Em 2013 muitos agricultores vão perder o suporte orçamental dos subsídios e os recursos silvestres poderão ser uma boa alternativa e um complemento do rendimento das explorações”, frisou.
O “intuito”, disse, “é que as explorações sejam multifuncionais e consigam agregar várias actividades”, como a produção de recursos silvestres, como mel, cogumelos e plantas aromáticas e medicinais.
Os recursos silvestres “não exigem grandes factores de produção”, “podem ser colhidos pontualmente da natureza e multiplicados” e “adaptam-se bem ao ecossistema do Baixo Alentejo”, porque “são pouco exigentes em água e resistem a largos períodos de seca”.
No actual contexto de crise, “os produtos silvestres, porque são endógenos e não implicam investimentos avultados, podem ser uma almofada importante” para as explorações, disse à Lusa o presidente da ADPM, Jorge Revez.
“Nos territórios rurais, particularmente nos de baixa densidade, como é o caso do Baixo Alentejo e de outras regiões do interior de Portugal, os recursos silvestres podem ser extremamente importantes em termos de desenvolvimento”, frisou.
Os recursos silvestres “são uma mais-valia económica, porque criam postos de trabalho, produzem riqueza, contribuem para a sustentabilidade da floresta e permitem fixar pessoas, combatendo a desertificação”, justificou.
Por estas razões, frisou, alguns produtos silvestres, sobretudo plantas aromáticas, cogumelos e mel, “podem ser importantes fileiras de desenvolvimento” do Baixo Alentejo.
Na região, disse, o mel é um produto “já perfeitamente estabelecido” e os cogumelos, as ervas comestíveis e as plantas aromáticas e medicinais são “produtos emergentes e têm um mercado enorme”, disse.
Jorge Revez e Cristina Caro falavam à margem do primeiro Congresso Nacional dos Recursos Silvestres do Mediterrâneo, que decorreu quinta e sexta-feira, 13 e 14, em Barrancos, para debater as potencialidades e a valorização daqueles recursos.

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Correio Alentejo

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