ACOS apela ao bom-senso da Câmara de Beja e rejeita extinção da empresa que gere o parque de feiras

ACOS apela ao bom-senso da Câmara de Beja e rejeita extinção da empresa que gere o parque de feiras

A Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS) apelou ao “bom senso” no processo de eventual extinção da empresa gestora do parque de feiras de Beja, alegando que os prejuízos invocados pelo município são “irrisórios”.
“Deve haver bom senso”, porque os prejuízos invocados pela Câmara de Beja, que “prefiro chamar de custos operacionais”, são “irrisórios” e “não justificam a extinção” da ExpoBeja, disse hoje à agência Lusa Manuel Castro e Brito, presidente da ACOS, sócia da empresa.
A proposta de extinção da ExpoBeja – Sociedade Gestora do Parque de Feiras e Exposições de Beja, apresentada pelo executivo PS do município de Beja, foi aprovada na quarta-feira, em reunião de Câmara, com os votos a favor da maioria socialista e contra da oposição CDU, e em Setembro será discutida e votada pela Assembleia Municipal de Beja.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Beja, Jorge Pulido Valente, explicou que o município, como sócio maioritário, quer extinguir a ExpoBeja, porque tem dado prejuízos, tornou-se financeiramente “insustentável” e “caminha para uma situação de falência”.
De acordo com o relatório de actividades de 2010 da ExpoBeja, a empresa teve um prejuízo de 27.216.51 euros no ano passado, mais 17,784.06 euros do que em 2009.
Segundo Castro e Brito, também vogal da administração da ExpoBeja, “está a haver uma especulação, acerca do assunto, da parte da Câmara de Beja”, porque os prejuízos são “aceitáveis” para “manter operacional” uma infra-estrutura como o parque de feiras e exposições da cidade.
A ExpoBeja, uma empresa de âmbito municipal e de capital maioritariamente público, é detida em 60 por cento pela Câmara e em 40 por cento pela ACOS e os prejuízos são partilhados pelas dois accionistas naquelas percentagens, lembrou, referindo que para o município os valores relativos a 60 por cento de um prejuízo de 27.216.51 são “peanuts (trocos)”.
A ACOS está “disponível” para encontrar uma solução alternativa à ExpoBeja, mas “entende que, devido aos montantes envolvidos, a extinção não se justifica e não é um caso de extrema urgência” e, por isso, a empresa “devia continuar”, disse.
No entanto, defendeu, a Câmara de Beja, como sócio maioritária, “tem a faca e o queijo na mão”, mas, antes de decidir avançar com a extinção, “devia, em primeiro lugar, encontrar outra solução melhor”, porque o parque, onde decorre a anualmente a feira Ovibeja, promovida pela ACOS, “tem que estar operacional e funcionar”.
“Não se pode primeiro decidir extinguir e depois logo se vê. Isto é uma posição muito leviana”, disse.
Segundo Jorge Pulido Valente, a confirmar-se a extinção, “está tudo em aberto” para se encontrar “o melhor caminho” para a gestão do parque e que seja o “mais consensual” entre a Câmara e a ACOS e o que “melhor sirva os interesses do concelho”.
O processo de extinção “será longo” e, durante o processo, “encontraremos um modelo de gestão” do parque, que inclui infra-estruturas dos dois accionistas, disse o autarca, referindo que “há propostas para discutir com a ACOS”, como ser uma das entidades a gerir tudo ou cada uma a gerir o seu património.

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Correio Alentejo

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