João Candeias está regresso a Aljustrel, tendo sucedido a João Nunes no comando técnico do Mineiro. Em entrevista ao “CA”, revela que a sua grande ambição é conduzir a equipa à manutenção no Campeonato de Portugal.
Costuma-se dizer que não se deve voltar ao lugar onde já se foi feliz e o João Candeias já foi muito feliz no Mineiro Aljustrelense. Ainda assim, aceitou regressar a Aljustrel…
Não penso muito dessa forma, penso de outra forma. Posso pensar que alguma coisa ficou para fazer e não tinha como dizer não ao Mineiro. Ainda mais neste contexto de Campeonato de Portugal. Para quem tem ambição, como eu tenho, se puder treinar no Campeonato de Portugal não vou treinar no distrital, não é?
Pode dizer-se que o convite do Mineiro foi irrecusável, até por questões sentimentais?
Sim, sem dúvida! Toda a gente sabe que tenho uma ligação muito forte ao Mineiro e a Aljustrel também.
Já teve oportunidade de se estrear à frente da equipa, no passado domingo, 25, em casa, diante do Imortal de Albufeira, num jogo que terminou 1-1 e com o Mineiro a sofrer o empate mesmo ao “cair do pano”. Como é que avalia essa estreia?
Posso considerá-la positiva, apesar de saber a pouco por tudo aquilo que os jogadores fizeram em campo. Temos que ver que não é qualquer equipa que fica a ganhar 1-0, com menos um jogador, durante 50 minutos ao primeiro classificado. E acho que, nesse sentido, a nossa resposta foi bastante positiva. O essencial foi acumular pontos, que é o que necessitamos. E contra um adversário daquele calibre, como é o Imortal, acho que acaba por ser um resultado positivo.
“Sem trabalho nada se faz. E temos que trabalhar como “monstros” e transportar isso para o jogo.”
Assumiu o comando técnico do Mineiro Aljustrelense a 19 de outubro. O que lhe pediu a direção do clube?
O que foi pedido foi a manutenção. Sabemos em que contexto estamos e as limitações que temos também. Já só podemos inscrever um jogador e vai ser complicado. Agora, sem trabalho nada se faz. E temos que trabalhar como “monstros” e transportar isso para o jogo.
Pode estar a falar do quarto escalão do futebol nacional, mas o Campeonato de Portugal é muito exigente…
Sim, sem dúvida! Não falando da antiga 3ª divisão nacional – e não discutindo onde é que estavam os melhores jogadores, se é hoje ou quando havia a antiga 3ª divisão –, acaba por ser um escalão mais profissional do que era na altura, com mais recursos. E ainda bem que assim é, que é sinónimo de evolução. Defrontamos clubes que, dentro do amadorismo, tentam ser os mais profissionais possíveis. E nós não podemos fugir à regra.
Já teve a experiência de treinar o Mineiro Aljustrelense num Campeonato de Portugal, em 2019-2020. Sente que hoje é um treinador melhor preparado do que era nessa altura?
De facto, sou um técnico com pouca experiência no nacional, mas que, no meu entender, foi enriquecedora. Porque hoje a minha capacidade de análise é completamente diferente daquela que era na altura. Sou um pouco mais pragmático e mais prático em relação àquilo que é o jogo. Ou seja, não romantizar tanto as coisas, porque o jogo é feito de resultado. Não interessa jogar muito bem e perder sempre, interessa sim sermos eficazes.
Como treinador, qual é a ambição do João Candeias? É continuar a subir “degrau a degrau” e ir mais além no futebol nacional enquanto técnico?
Sim, não escondo essa ambição. Sei que é difícil, tenho essa consciência e trabalho com os pés bem assentes na terra, mas a verdade é que tenho a ambição de conseguir sempre mais. E se Deus quiser, se eu lutar, irei conseguir chegar onde ambiciono.












