Há investimentos que não devem ser avaliados apenas pelo seu custo, mas sobretudo pelo impacto que podem ter no futuro de uma comunidade. É o caso do novo Centro Escolar de Mértola, um investimento superior a 2,5 milhões de euros promovido pela Câmara Municipal.
Num concelho marcado pelos desafios da baixa densidade populacional, pelo envelhecimento demográfico e pela saída de muitos jovens, apostar na educação é muito mais do que construir ou renovar um equipamento. É afirmar que em Mértola se acredita no futuro e, sobretudo, nas suas crianças.
Obviamente que nenhum centro escolar, por si só, resolve o problema do despovoamento. Para tal são necessários empregos, habitação acessível, cuidados de saúde, transportes, cultura, desporto e oportunidades para os jovens… Mas também é verdade que não conseguiremos manter pessoas no interior se não garantirmos serviços públicos de qualidade. E a educação tem de estar no centro dessa equação.
Mais do que discursos sobre a coesão territorial, precisamos de decisões concretas que demonstrem que vale a pena viver, trabalhar e criar uma família no interior. Uma escola moderna e qualificada é uma dessas decisões. Por isso, o investimento da Câmara de Mértola merece ser valorizado para além dos 2,5 milhões de euros que representa. O seu verdadeiro valor está na mensagem que transmite, ou seja, que as crianças do interior merecem as mesmas oportunidades que qualquer outra criança e os territórios de baixa densidade não podem ser condenados a desistir do seu futuro.
Porque o futuro de Portugal não pode ser construído apenas nas grandes cidades. E esse futuro começa, muitas vezes, dentro de uma sala de aula.

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