Um estudo do Observatório de Segurança e Defesa (OS&D) da associação SEDES, divulgado no início desta semana pela “Diário de Notícias” (DN), alerta para um desalinhamento persistente entre a criminalidade participada e a perceção pública da insegurança.
De acordo com o documento, entre 2000 e 2024 o número de crimes registados pelas autoridades diminuiu 1,3%, mas as menções a crimes nas primeiras páginas dos principais jornais aumentaram 130%.
O mesmo estudo indica que a análise das capas dos jornais nacionais de 25 anos (“Diário de Notícias”, “Correio da Manhã”, “Público”, “Expresso” e “Sol”) revela não só o aumento no número de menções a crimes, como também uma maior persistência mediática dos casos. “Um crime ficava nas notícias 2,6 dias. Agora, são mais de quatro dias”, nota o general Vieira Borges, coordenador do Observatório, citado pelo DN.
Este prolongamento da cobertura, muitas vezes impulsionado por intervenções políticas, reforça o sentimento de insegurança. “Há partidos que usam os crimes como instrumento político, e os jornais têm de voltar a dar a notícia. Isso aumenta a perceção de insegurança”, diz o mesmo responsável.
A notícia do DN frisa ainda que o presente estudo “evidencia um preocupante desalinhamento entre a realidade objetiva da criminalidade em Portugal e a perceção subjetiva da insegurança, por parte dos cidadãos, criando um paradoxo que mina a confiança nas instituições e compromete a formulação, desenvolvimento e eficácia, das políticas públicas”.
Sendo a SEDES uma organização de reconecida idoneidade, fica bem claro que vivemos num tempo em que perceções e realidades não se conjugam. O resultado é o crescente discurso de ódio que alimenta redes sociais e “afins”, transformando o país numa sociedade “distópica” e com o futuro ameaçado. Haverá forma de travar esta marcha rumo ao precipício?

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